O preço do leite ao produtor subiu 11,46% em março. No primeiro trimestre, a alta acumulada chegou a 17,6%. Foi a maior alta da série histórica do Cepea. Mas o bolso do produtor já sente o outro lado da moeda.
Os dados divulgados pelo Cepea/Esalq mostram que o indicador nacional do leite ao produtor alcançou R$ 2,39 por litro em março. É o maior valor já registrado para o mês na série histórica. A alta veio generalizada entre os estados, com destaque para Paraná e Santa Catarina, que registraram variações superiores a 13%.
Na mesma semana em que o Cepea confirmava o recorde, o IBGE divulgava a Pesquisa Trimestral do Leite com um dado que ajuda a explicar o movimento. A captação formal no Brasil atingiu 6,78 bilhões de litros no primeiro trimestre, o maior volume da história para o período desde 1997. O avanço de 3,3% sobre 2025, no entanto, representa desaceleração no ritmo de crescimento. Um ano antes, a alta havia sido de 4,5%.
Paraná lidera alta com R$ 2,47 o litro entre os estados produtores
O indicador do Cepea/Esalq para o leite ao produtor, com referência de março, mostra valorizações expressivas em todas as praças. O Paraná lidera com R$ 2,47 por litro (alta de 14,12%), seguido de Minas Gerais com R$ 2,45 (+11,58%) e São Paulo com R$ 2,42 (+10,41%).
Estado
Preço R$/Litro
Variação mensal
Brasil
2,3924
+11,46%
PR
2,4719
+14,12%
MG
2,4580
+11,58%
SP
2,4249
+10,41%
SC
2,3593
+13,83%
GO
2,3391
+11,19%
RS
2,3061
+10,01%
RJ
2,2789
+6,64%
BA
2,1858
+4,25%
ES
2,0555
+3,47%
Fonte Cepea/Esalq referência março 2026
E o que explica essa alta generalizada? A oferta apertada no campo. O volume recorde de captação do primeiro trimestre esconde um detalhe importante. Na comparação com o trimestre anterior, a produção recuou 7,9%. É uma das maiores retrações da série histórica para a virada de ano.
Na ponta do lápis do produtor, a combinação de custos em alta com a perspectiva de preços mais baixos já acendeu o alerta. Os Conseleites de Minas Gerais e do Paraná divulgaram valores de referência para junho com recuo. O mercado spot de leite, termômetro das negociações mais imediatas, segue em queda, embora com recuos menos intensos na segunda quinzena de maio.
O que esperar do segundo trimestre
No mercado internacional, os sinais são mistos. O Global Dairy Trade manteve estabilidade no 404º leilão depois de um ciclo de altas. O Rabobank projeta preços mais elevados para a temporada 2026/27 da Nova Zelândia, mas alerta que os custos também devem subir. Para o Brasil, que importa lácteos, preços internacionais firmes são um piso para o mercado interno.
Do lado positivo, o mercado futuro do leite deu um passo importante. A StoneX, em parceria com o Cepea, lançou uma ferramenta inédita de hedge para o setor lácteo brasileiro, com quatro contratos para proteção de preço. É um instrumento que permite ao produtor travá-los com antecedência, algo que pode fazer diferença num cenário de margens apertadas.
A pergunta que não quer calar é se a oferta vai continuar crescendo no mesmo ritmo. O primeiro trimestre mostrou desaceleração na captação e retração na margem. Se a demanda interna se mantiver aquecida, os preços ao produtor podem encontrar um piso mais firme do que o mercado projeta. De olho no segundo trimestre, o produtor faz as contas.