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Pedreiro viaja 2.100 km para encontrar mulher de IA que prometia viver com ele em uma fazenda

Pedreiro viaja 2.100 km para encontrar mulher de IA que prometia viver com ele em uma fazenda

Uma promessa de amor, uma fazenda em Minas Gerais e mais de 2 mil quilômetros de estrada. O que parecia ser o começo de uma nova vida terminou em decepção para o pedreiro Edimar Rocha, que atravessou parte do Brasil para encontrar uma mulher que só existia nas telas. Não ria, pois com a extrema realidade dos vídeos por IA, até você pode cair em golpes assim hoje em dia.

Edimar Rocha Martins, de 49 anos, saiu do Maranhão rumo a Minas Gerais acreditando em um romance virtual. Ao descobrir que a mulher não existia, precisou de assistência para retornar ao Tocantins. O caso expõe os riscos de perfis artificiais que simulam relacionamentos nas redes sociais.

Morador de Imperatriz, no Maranhão, Edimar embarcou na última sexta-feira (9) e chegou a Belo Horizonte no domingo (11). Ele acreditava que seria recebido por Jéssica, uma mulher que aparecia em vídeos nas redes sociais demonstrando interesse amoroso e convidando seguidores para morar com ela em uma propriedade rural.

A descoberta veio depois da viagem: Jéssica era uma personagem produzida com inteligência artificial. As interações que Edimar interpretava como mensagens pessoais eram respostas automáticas associadas ao perfil.

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O caso mais expressivo: Jean Philanthrope

Antes de seguir, saiba que Jean Philanthrope, um personagem francês fictício, de cabelo loiro, bigode curvado e terno marrom, tornou-se um fenômeno recente ao aparecer lutando contra o ar em diferentes cenários de Paris. Seus dez primeiros vídeos já somam mais de 50 milhões de visualizações no Instagram.

O primeiro vídeo conhecido foi publicado em 17 de setembro de 2026. Desde então, surgiram personagens semelhantes, inspirados na combinação de aparência extravagante, humor visual e situações cotidianas.

E para gerar personagens como esse, a plataforma Higgsfield oferece uma ferramenta facilitada e com poucos cliques. Para acessar basta clicar nesse link: https://higgsfield.ai

A promessa de uma vida a dois no campo

Voltando a nossa história, o perfil de Jéssica circulava em plataformas como Facebook e Kwai. Nos vídeos, a personagem apresentava a possibilidade de um relacionamento e de uma vida compartilhada em uma fazenda mineira. Assiste o vídeo abaixo e veja a abordagem dessa beldade de IA.

Edimar acreditou que o convite era verdadeiro. Em entrevista à Rádio Itatiaia, reproduziu a promessa que o levou a viajar:

“Ela falou assim: ‘Não, você vai morar mais eu aqui na fazenda’. Então, assim, eu digo: ‘Então eu vou’.”

A expectativa tinha uma história pessoal por trás. Após a morte da mãe, o trabalhador passou a enfrentar a solidão e a perda de vínculos afetivos com a cidade onde vivia. Ele contou que já não desejava permanecer em Imperatriz e enxergou na possível relação uma oportunidade de recomeçar.

Na chegada a Belo Horizonte, procurou ajuda para localizar a mulher. Foi então informado de que os vídeos eram artificiais e não havia uma Jéssica esperando por ele.

O impacto foi além da frustração amorosa. Sem recursos para custear o retorno, Edimar ficou em situação de vulnerabilidade na capital mineira.

O portal BHAZ fez uma entrevista com ele e voc6e pode conferir logo abaixo. Aperte o play!

O caso não foi o primeiro registrado em Belo Horizonte

A história de Edimar chamou atenção também por uma circunstância recorrente: a promessa de uma vida no campo aparece em outros episódios de pessoas atraídas por perfis artificiais.

De acordo com os relatos reunidos pela Rádio Itatiaia, este foi o terceiro caso semelhante registrado em Belo Horizonte em menos de seis meses.

Em junho, um idoso viajou de Roraima para encontrar uma suposta namorada. Em agosto, outro homem, vindo de Manaus, chegou à cidade depois de interagir com vídeos de uma mulher que prometia emprego.

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Os episódios mostram como personagens digitais podem ser interpretados como pessoas reais, especialmente quando as publicações simulam proximidade e oferecem oportunidades de relacionamento ou trabalho.

A inteligência artificial generativa permite criar rostos, vozes e vídeos de pessoas inexistentes. Quando esse material é apresentado sem identificação clara e acompanhado de interações automatizadas, o público pode interpretar uma comunicação destinada a milhares de seguidores como uma conversa individual.

No caso de Edimar, não foi comprovado que o responsável pelo perfil tenha recebido dinheiro dele. A viagem e os gastos decorrentes, entretanto, produziram consequências financeiras e pessoais concretas.

Prefeitura garante passagem e pedreiro decide voltar ao Tocantins

Na terça-feira (13), Edimar conseguiu uma passagem de ônibus por intermédio da Unidade de Atendimento e Acolhimento ao Migrante da Prefeitura de Belo Horizonte.

Em vez de retornar ao Maranhão, escolheu Araguatins, no Tocantins, sua terra natal.

O serviço municipal atende migrantes em situação de vulnerabilidade, oferecendo orientação, proteção social e, quando necessário, transporte para locais onde tenham vínculos familiares ou comunitários.

Já nesta quarta-feira (14), a repercussão do episódio levou a prefeitura a divulgar orientações sobre o atendimento a pessoas que chegam à capital em situações semelhantes.

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Em vídeo divulgado pelo município, Edimar resumiu o sentimento que o acompanhou depois da viagem:

“Tem coisa pior do que uma solidão, né? A solidão é tristeza, desânimo, depressão.”

Ele também confirmou que estava retornando ao Tocantins com a passagem concedida pela prefeitura.

A história terminou sem o encontro prometido, mas deixou uma questão que vai além deste episódio: com imagens e conversas cada vez mais convincentes, reconhecer quem realmente está do outro lado da tela tornou-se uma precaução indispensável.

Enganar pessoas com inteligência artificial pode configurar crime

Criar personagens com inteligência artificial não é, por si só, crime no Brasil. Entretanto, utilizar perfis falsos para manipular sentimentos, simular relacionamentos e induzir pessoas a situações de prejuízo pode gerar responsabilização civil e, dependendo das circunstâncias, criminal.

O artigo 171 do Código Penal prevê o crime de estelionato quando alguém obtém vantagem ilícita, causando prejuízo a outra pessoa por meio de fraude, com pena de um a cinco anos de reclusão e multa. A utilização de inteligência artificial não elimina essa responsabilidade. No caso do pedreiro Edimar, porém, ainda seria necessário identificar os responsáveis pelo perfil, suas intenções e a eventual obtenção de vantagem ilícita para determinar se houve crime. Independentemente do enquadramento penal, o episódio evidencia os danos que identidades digitais fraudulentas podem provocar na vida de pessoas que acreditam estar construindo relacionamentos verdadeiros.

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Foto de Vicente Delgado

Sobre o autor

Vicente Delgado

DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência

Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.

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