Paridade do milho sobe em MT, mas físico segue travado com safrinha e frete alto
Alta de 2,88% na paridade de exportação melhora o sinal externo, mas preço médio disponível avança só 0,02% e mantém pressão sobre a margem do produtor mato-grossense.
O mercado de milho em Mato Grosso atravessa uma semana de brilho contido, como sol que rompe a névoa sem aquecer por inteiro o chão da fazenda. A paridade de exportação ganhou fôlego, mas o físico permaneceu quase imóvel, preso entre oferta volumosa, logística cara e compradores seletivos.
Paridade melhora, mas o físico não acompanha
A média do milho disponível em Mato Grosso ficou em R$ 42,30 por saca, com avanço de apenas 0,02%. O número mostra um mercado de passo curto, no qual a melhora externa ainda não se converte em reação firme no balcão e nos lotes negociados no interior.
A paridade de exportação em Mato Grosso subiu 2,88% e chegou a R$ 32,70 por saca. O movimento amplia o sinal vindo dos portos e ajuda a recompor expectativas, mas ainda não basta para mudar o humor da comercialização, pois o produtor continua medindo cada venda contra custo, frete e necessidade de caixa.
O contraste com o indicador Cepea, próximo de R$ 70,24 por saca, reforça a distância entre referências nacionais e a realidade de origem em áreas mais afastadas dos corredores de escoamento. Em Mato Grosso, a formação do preço segue marcada pelo peso logístico e pela diferença entre praça compradora e destino final.
Praça
Preço disponível
Rondonópolis
R$ 46,60 por saca
Primavera do Leste
R$ 45,40 por saca
Campo Verde
R$ 45,05 por saca
Sorriso
R$ 42,60 por saca
Nova Mutum
R$ 41,25 por saca
Lucas do Rio Verde
R$ 41,30 por saca
Alta Floresta
R$ 38,00 por saca
Rondonópolis lidera entre as praças observadas, com R$ 46,60 por saca, sustentada pela posição logística mais favorável. Alta Floresta aparece na ponta oposta, com R$ 38,00 por saca, retrato da penalização sofrida por regiões mais distantes dos principais fluxos de exportação e consumo.
Safrinha e frete alto seguram a margem do produtor
A safra de Mato Grosso é estimada em 52,6 milhões de toneladas, volume que confirma a força produtiva do estado e, ao mesmo tempo, amplia a exigência sobre armazenagem, transporte e ritmo de demanda. Quando a colheita avança e o comprador percebe abundância, a disputa por preço perde intensidade no interior.
No Centro-Sul, a colheita da safrinha alcança 2,4%, ainda em fase inicial, mas suficiente para acender a cautela no mercado. A aproximação de mais milho ao circuito comercial tende a limitar altas no físico, especialmente quando tradings e consumidores conseguem alongar compras sem urgência.
O frete segue como pedra no caminho da margem. A rota Sorriso-Santos está em R$ 514,78 por tonelada, enquanto Sorriso-Miritituba marca R$ 311,59 por tonelada. Já Rondonópolis-Santos aparece em R$ 405,00 por tonelada, custo que explica parte da vantagem relativa da praça, mas ainda pesa sobre a conta final.
Para o produtor, a decisão comercial pede menos impulso e mais partitura. Vendas imediatas podem atender compromissos de caixa, porém lotes escalonados e atenção à base regional podem proteger melhor a renda quando houver janelas de frete, demanda ou câmbio mais favoráveis.
O quadro atual não é de euforia, mas também não é de silêncio absoluto. A paridade mais alta abre uma fresta, enquanto o físico travado lembra que preço no campo nasce da soma entre mercado, estrada e tempo. Quem produz em Mato Grosso precisa ouvir esses três compassos antes de bater o martelo.