O cenário atual do mercado de trigo no Rio Grande do Sul apresenta uma dinâmica de contrastes, onde a influência externa dita o ritmo dos grãos, enquanto fatores internos de substituição e consumo moldam os subprodutos
Recentemente, o setor observou uma valorização expressiva nas cotações do trigo, um fenômeno que encontra suas raízes muito além das fronteiras brasileiras, mais especificamente nas planícies agrícolas dos Estados Unidos.
A força do mercado externo
O principal motor das altas registradas em solo gaúcho é o comportamento das bolsas internacionais. O clima severo, caracterizado por uma seca prolongada em regiões estratégicas de cultivo de inverno nos EUA, acendeu um sinal de alerta sobre a oferta global. Como o trigo é uma commodity com preço arbitrado internacionalmente, qualquer ameaça à produtividade dos grandes exportadores reflete imediatamente nos preços locais. No Rio Grande do Sul, esse movimento de alta foi importado com rapidez, elevando o custo da saca e pressionando a cadeia produtiva.
Além do fator internacional, o mercado interno gaúcho lida com uma escassez de oferta. O trigo de alta qualidade, essencial para a indústria moageira, está mais difícil de encontrar. Essa combinação — pressão altista externa e baixa disponibilidade interna de produto premium — criou o ambiente perfeito para a sustentação dos preços elevados no estado.
O contraste dos subprodutos: Farelo e farinha
Diferente do grão bruto, o farelo de trigo atravessa um momento de desvalorização. Tanto o produto comercializado a granel quanto o ensacado registram quedas consecutivas. Esse recuo não se deve à falta de qualidade, mas sim à competitividade acirrada no setor de nutrição animal.
O farelo de trigo enfrenta a concorrência direta de dois gigantes:




