Atualizando...

Impacto da logística no preço do café e o que muda para o produtor

Redação
12/01/2026 às 15:15
Impacto da logística no preço do café e o que muda para o produtor

Frete, entressafra e liquidez apertada entram direto na conta do café em 2026.

O café começou 2026 com preços firmes, mas com um detalhe que o produtor sente na veia: a logística virou peça-chave na formação do valor final da saca. Não é só oferta curta e clima irregular. O custo e o ritmo para tirar o café da fazenda até o porto estão pesando na decisão de venda e na margem.

O ponto é que o mercado está pagando bem, mas não está fluindo com facilidade. A liquidez segue baixa neste início de ano, as negociações caminham devagar e quem precisa vender sente o impacto do frete, do prazo e da estrutura disponível.

O que os preços do café mostram neste início de ano

Segundo o Indicador CEPEA/ESALQ Café Arábica (SP), os preços seguem em patamares elevados. Em 06/01/2026, a saca foi cotada a R$ 2.237,54, após R$ 2.191,97 no dia 05/01 e R$ 2.171,95 em 02/01. Mesmo com oscilações diárias, o mercado continua sustentado acima de R$ 2 mil por saca.

Esse nível de preço não é novidade. Ao longo de 2025, o café arábica manteve valores elevados, com destaque para o pico histórico registrado em fevereiro, quando o indicador CEPEA chegou a R$ 2.565,41 por saca. Isso mostra que o problema não é falta de valor, mas sim como transformar esse preço em dinheiro no bolso.

No mercado físico regional, cafés de qualidade inferior sentem outra realidade. O arábica “rio” tipo 7, na Zona da Mata mineira, gira entre R$ 1.590 e R$ 1.600 por saca, sem variação recente. Aqui, qualquer custo extra de logística pesa proporcionalmente mais.

Logística entra como gargalo silencioso

Mesmo sem dados oficiais recentes detalhando fretes específicos para o café, o efeito da logística é claro na prática. A combinação de exportações recordes em 2025, entressafra no Brasil e estrutura limitada de transporte cria um gargalo que trava negócios.

Na prática, o produtor sente isso quando:

  • o frete fica difícil de contratar em momentos de pico;
  • o prazo para embarque se alonga;
  • a indústria ou o exportador desconta risco logístico no preço;
  • a necessidade de caixa força venda em mercado lento.

Mesmo sem números fechados de frete, o mecanismo é simples. Quando o escoamento não flui, a demanda imediata diminui. Isso não derruba o preço de referência, mas reduz a liquidez. E liquidez baixa significa mais poder de barganha para quem compra.

Entressafra sustenta preços, mas não garante facilidade de venda

Estamos entrando no período de entressafra entre janeiro e março de 2026, com oferta física restrita. A safra brasileira já veio menor, estimada pela CONAB em 56,5 milhões de sacas após os problemas climáticos de 2025, como atraso das chuvas no fim de 2024 e calor intenso entre fevereiro e março.

Esse cenário ajuda a segurar os preços, mesmo com sinais de demanda mais cautelosa. O problema é que preço firme não significa mercado comprador todos os dias. O CEPEA aponta negociações lentas neste início de ano, com expectativa de maior dinamismo apenas nas próximas semanas.

Para o produtor, isso exige leitura fria do momento. Segurar esperando melhora de preço pode fazer sentido, mas segurar sem estrutura logística e financeira vira risco.

Câmbio, exportação e o peso da logística no valor final

Mesmo sem dados recentes consolidados de câmbio e bolsas internacionais neste início de 2026, o mercado internacional segue volátil. Estoques globais apertados, incertezas no Brasil e no Vietnã e produção ajustada sustentam o interesse pelo café brasileiro.

O que muda a conversa é que o ganho do mercado externo nem sempre chega inteiro até a porteira. O custo logístico, somado à menor fluidez nos portos e no transporte interno, entra direto no cálculo do comprador. Quanto maior a incerteza de embarque, maior o desconto exigido.

Por isso, acompanhar referências confiáveis como os dados do Cepea é essencial para separar o que é preço de mercado do que é custo operacional embutido na negociação.

Como o produtor pode se posicionar na prática

Com preços elevados, mas logística pressionando, a decisão não é simples. Alguns pontos práticos ajudam a reduzir risco:

  • Planejar venda por lotes, evitando concentrar tudo em momentos de baixa liquidez.
  • Negociar frete com antecedência, especialmente se houver compromisso de exportação.
  • Avaliar travas parciais de preço, protegendo margens sem abrir mão de altas futuras.
  • Separar café por qualidade, pois diferenciação ajuda a diluir custo logístico.
  • Controlar caixa, para não ser forçado a vender no pior momento.

O ponto central é entender que, em 2026, logística deixou de ser detalhe e virou fator de formação de preço. Quem ignora isso acaba entregando margem sem perceber.

Para acompanhar análises completas de café, acesse sempre nossa página exclusiva em Agronews – Café em tempo real.

Agronews é informação para quem produz.

café

Compartilhe esta notícia: