Frete, entressafra e liquidez apertada entram direto na conta do café em 2026.
O café começou 2026 com preços firmes, mas com um detalhe que o produtor sente na veia: a logística virou peça-chave na formação do valor final da saca. Não é só oferta curta e clima irregular. O custo e o ritmo para tirar o café da fazenda até o porto estão pesando na decisão de venda e na margem.
O ponto é que o mercado está pagando bem, mas não está fluindo com facilidade. A liquidez segue baixa neste início de ano, as negociações caminham devagar e quem precisa vender sente o impacto do frete, do prazo e da estrutura disponível.
O que os preços do café mostram neste início de ano
Segundo o Indicador CEPEA/ESALQ Café Arábica (SP), os preços seguem em patamares elevados. Em 06/01/2026, a saca foi cotada a R$ 2.237,54, após R$ 2.191,97 no dia 05/01 e R$ 2.171,95 em 02/01. Mesmo com oscilações diárias, o mercado continua sustentado acima de R$ 2 mil por saca.
Esse nível de preço não é novidade. Ao longo de 2025, o café arábica manteve valores elevados, com destaque para o pico histórico registrado em fevereiro, quando o indicador CEPEA chegou a R$ 2.565,41 por saca. Isso mostra que o problema não é falta de valor, mas sim como transformar esse preço em dinheiro no bolso.
No mercado físico regional, cafés de qualidade inferior sentem outra realidade. O arábica “rio” tipo 7, na Zona da Mata mineira, gira entre R$ 1.590 e R$ 1.600 por saca, sem variação recente. Aqui, qualquer custo extra de logística pesa proporcionalmente mais.
Logística entra como gargalo silencioso
Mesmo sem dados oficiais recentes detalhando fretes específicos para o café, o efeito da logística é claro na prática. A combinação de exportações recordes em 2025, entressafra no Brasil e estrutura limitada de transporte cria um gargalo que trava negócios.
Na prática, o produtor sente isso quando:
- o frete fica difícil de contratar em momentos de pico;
- o prazo para embarque se alonga;
- a indústria ou o exportador desconta risco logístico no preço;
- a necessidade de caixa força venda em mercado lento.
Mesmo sem números fechados de frete, o mecanismo é simples. Quando o escoamento não flui, a demanda imediata diminui. Isso não derruba o preço de referência, mas reduz a liquidez. E liquidez baixa significa mais poder de barganha para quem compra.
Entressafra sustenta preços, mas não garante facilidade de venda
Estamos entrando no período de entressafra entre janeiro e março de 2026, com oferta física restrita. A safra brasileira já veio menor, estimada pela CONAB em 56,5 milhões de sacas após os problemas climáticos de 2025, como atraso das chuvas no fim de 2024 e calor intenso entre fevereiro e março.




