Soja (MT)R$ 137,00-0.37%
Milho (MT)R$ 46,71+0.06%
Algodão (MT)R$ 126,14-0.92%
Boi Gordo (MT)R$ 344,46+0.43%
Leite (MT)R$ 2,39-0.30%
Soja (MT)R$ 137,00-0.37%
Milho (MT)R$ 46,71+0.06%
Algodão (MT)R$ 126,14-0.92%
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Cultivo do triticale no Cerrado amplia oportunidades para a indústria de alimentos

triticale

Na produção de biscoitos moldados, a substituição pode chegar a 100%, mantendo atributos similares ao padrão elaborado somente com farinha de trigo

Análises de qualidade industrial do triticale realizadas em 2026 permitem recomendar a adoção do cereal na composição de produtos destinados à alimentação humana. Testes de panificação e confeitaria realizados pela empresa Vilma Alimentos (MG), parceira a Embrapa Trigo (RS), indicam a viabilidade de substituição da farinha de trigo pela farinha de triticale na composição principalmente de biscoitos.

“Avaliamos a aplicação da farinha de triticale em 11 produtos. Os testes mostraram que é possível utilizá-la em seis deles, sendo que em dois foi possível substituir totalmente a farinha de trigo pela farinha de triticale sem perder qualidade”.

Sérgio Gonçalves – Diretor Técnico da Vilma Alimentos

A substituição total pode ser feita em dois tipos de biscoitos, e a parcial, na fabricação de wafers, bolos, pizzas e biscoitos de maisena, conforme indicado na tabela a seguir:

triticale

Segundo a pesquisadora da Embrapa Trigo, Jane Machado, um dos principais mercados para o triticale no Cerrado deve ser a indústria de biscoitos porque “o triticale garante a crocância e a firmeza dos biscoitos, permitindo eliminar o uso de aditivos químicos para atingir esses atributos”. Ela também destaca que os grãos de triticale, inteiros ou moídos, podem ser utilizados em cereais matinais e produtos dietéticos.

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Na produção de biscoitos moldados, a substituição pode chegar a 100%, mantendo boa expansão e atributos similares ao padrão elaborado somente com farinha de trigo. Na panificação, a mistura indicada ficou em 50% de trigo e 50% de triticale, limitada à fabricação de pães de baixo crescimento. E no caso de biscoitos laminados doces (conhecidos no mercado como biscoito de maisena), os testes mostraram que é possível substituir até 30% da farinha de trigo por triticale, mantendo o padrão de textura, cor e sabor característicos dos produtos.

triticale

Em 2024, uma carga de 20 toneladas da cultivar de triticale BRS Saturno saiu do Rio Grande do Sul para ser avaliada no Cerrado Mineiro. Os resultados iniciais mostraram que, na panificação, a farinha de triticale é mais escura e com menor força de glúten, exigindo mesclas com a farinha de trigo. Naquela ocasião, o triticale já se mostrou uma opção viável para uso na fabricação de biscoitos, massas para pizzas ou em misturas para bolo. Os resultados das novas análises de qualidade industrial, realizadas em 2026, permitem orientar o uso do cereal na fabricação de alimentos.

A destinação de triticale para a alimentação humana ganhou impulso nos últimos anos, fomentada pelo marketing dos alimentos funcionais, com os grãos destinados à indústria de alimentos integrais, como pães e biscoitos.

O cultivo deste cereal no Cerrado ainda não aparece nas estatísticas oficiais, mas esta realidade pode mudar nos próximos anos com a adaptação de novas cultivares pela pesquisa e o interesse da indústria de alimentos.

Avaliação a campo

Na Fazenda Lagoa, em Carandaí, na Zona da Mata de Minas Gerais, foram conduzidos experimentos em oito hectares de triticale em 2026, um para cada cultivar disponível no mercado: BRS Piapara, BRS Saturno, BRS Surubim, BRS Tambaqui, BRS TL 51 e BRS Zênite (Embrapa e Fundação Meridional), além das cultivares IPR Aimoré e IPR Goitacá (IDR Paraná).

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A semeadura foi realizada em maio com colheita em setembro, sob irrigação. A média de produtividade do triticale no Cerrado varia de três a quatro toneladas por hectare em sistema irrigado, mas as parcelas em Carandaí superaram as expectativas.

“As parcelas de triticale chamaram a atenção dos produtores da região, mostrando excelente sanidade e com espigas bem formadas. O rendimento de grãos passou das cinco toneladas por hectare em algumas parcelas ”.

Luís Tarcísio Behn – Engenheiro Agrônomo

De acordo com Osmar Conte, pesquisador da Embrapa Trigo, o triticale também pode apresentar bom desempenho no cultivo de sequeiro:

“O triticale tem boa tolerância à seca, com plantas de raízes profundas, bem adaptadas a solos ácidos e arenosos”.

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Osmar Conte – Pesquisador da Emrapa

Explica Conte, lembrando que nem todas as cultivares testadas são indicadas para produção de grãos no Cerrado. Após a colheita serão realizadas avaliações para subsidiar melhor as orientações técnicas. Clique aqui e acompanhe o agro.

Por Joseani Antunes (Mtb 9693/RS)/Embrapa Trigo

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Sobre o autor

Dannì Galvão

Cofundadora e Especialista em Mercado Financeiro11+ anos de experiência

Cofundadora do Agronews, empresária e especialista em mercado financeiro. Acompanha as movimentações do setor, desde cotações e tendências de mercado até análises técnicas e eventos do agronegócio.

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