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Biometano abre nova fonte de receita no campo com investimentos de R$ 2,7 bilhões

Redação
26/05/2026 às 17:39
usina de biometano no campo brasileiro

A tecnologia que transforma dejetos da suinocultura em energia renovável está ganhando escala no Brasil e criando uma nova fonte de monetização para o produtor rural. O movimento já soma mais de 20 projetos em seis estados.

A H2A Bioenergia lidera esse processo com investimentos que ultrapassam R$ 2,7 bilhões em projetos distribuídos por seis estados brasileiros. A empresa opera usinas que convertem resíduos orgânicos em biometano, CO₂ alimentar, biofertilizantes e créditos de carbono. A capacidade instalada já alcança 726 mil metros cúbicos de biometano por dia.

O modelo representa o avanço da chamada “terceira safra” do agronegócio, na qual os resíduos deixam de ser passivos ambientais e passam a compor novas cadeias de valor dentro da propriedade rural.

Como funciona a parceria com o produtor

O formato adotado pela H2A Bioenergia se baseia em um sistema de parceria direta com o produtor rural. Nesse arranjo, o produtor fornece a matéria-prima. Os dejetos da suinocultura são processados enquanto a companhia entra com a tecnologia, a engenharia e a gestão operacional das unidades.

O resultado é a criação de uma nova fonte de receita no campo. O produtor passa a ter participação direta na geração de valor a partir da venda de biometano, biofertilizantes e ativos ambientais como créditos de descarbonização e CBIOs.

A empresa tem presença consolidada nas regiões Sul e Sudeste e avança agora para o Centro-Oeste, onde o potencial de integração com a produção animal é igualmente significativo. Em Santa Catarina, uma parceria com o Grupo Master prevê investimento de R$ 150 milhões em usinas de biometano a partir de dejetos suínos e efluentes industriais.

Expansão em seis estados

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Modelo de parceria permite que dejetos da suinocultura sejam convertidos em energia renovável e gerem renda ao produtor rural
Crédito Agência H2A Bioenergia

O pipeline da H2A Bioenergia reúne mais de 20 projetos ativos com geração diária de 726 mil Nm³ de biometano e mais de 606 mil kg de CO₂ alimentar. A empresa enumera investimentos que somam R$ 2,7 bilhões, com contratos firmados, licenças adiantadas e forte presença nos estados do Sul e Sudeste.

A expansão inclui unidades já em desenvolvimento em Rio Verde, em Goiás, e Ponta Grossa, no Paraná. Em Santa Catarina, os municípios de Papanduva e Videira também avançam em licenciamento para receber novas plantas. A estratégia da companhia é formar polos regionais de produção de biometano a partir do agronegócio, ampliando a eficiência energética e a geração de valor no campo.

Segundo a empresa, o modelo reforça a previsibilidade de receita para o produtor, já que a produção de biometano não depende de condições climáticas, ao contrário das culturas agrícolas tradicionais. O biogás gerado a partir de resíduos animais funciona de forma contínua e independente das estações do ano.

Impacto no agronegócio e na matriz energética

O avanço do biometano no Brasil representa mais do que uma nova fonte de energia. Ele reposiciona o produtor rural como protagonista da transição energética, transformando um passivo ambiental em ativo financeiro. Além do biometano, o processo gera biofertilizantes que podem ser reaplicados nas lavouras, fechando o ciclo de nutrientes na propriedade.

A ABiogás, que representa mais de 165 empresas da cadeia do biogás e biometano, projeta que o setor continuará acelerando nos próximos anos, impulsionado por contratos de longo prazo, tecnologia nacional e demanda crescente por energia renovável com lastro de descarbonização comprovado.

Para o produtor brasileiro, a mensagem é clara. Os dejetos que antes eram vistos apenas como custo de manejo agora se transformam em biometano, biofertilizante e crédito de carbono. Uma nova safra está nascendo dentro da propriedade.

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