Comércio entre China e Brasil cresce na contramão dos EUA e beneficia agro brasileiro
Em meio a tarifas americanas e tensão global, a parceria com a China se consolida como principal motor das exportações agropecuárias brasileiras, mas especialistas alertam para riscos da dependência
A parceria entre China e Brasil no agronegócio alcançou um novo patamar em 2026.
Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o MDIC, mostram que as exportações para a China registraram forte alta no comparativo com o ano anterior. O avanço foi puxado pela soja, pela carne bovina e pela celulose, produtos que encontram no mercado chinês uma demanda crescente e estável, sustentada pela necessidade da China de garantir segurança alimentar para a sua população.
O movimento ocorre em um contexto de recuo das exportações brasileiras para os Estados Unidos, afetadas pelas tarifas impostas pelo governo americano a diversos países. O levantamento da Conab aponta que 72% da soja produzida no Brasil segue para os portos chineses, um número que reforça a centralidade desse parceiro comercial. Na ponta do lápis, o produtor rural acompanha as cotações internacionais com atenção redobrada, sabendo que o preço da saca depende cada vez mais do que acontece em Pequim e do custo dos fretes marítimos impactados pelas tensões no Oriente Médio.
Movimentação no porto de Santos reflete o aumento das exportações para a China
Contraste geopolítico abre janela para o agro brasileiro
O cenário internacional favoreceu a aproximação entre os dois países. As tarifas americanas reduziram a competitividade dos produtos dos Estados Unidos no mercado chinês, e o Brasil aproveitou a brecha para ampliar sua participação nas importações chinesas de alimentos. O relatório Article IV do Fundo Monetário Internacional, o FMI, classifica a economia brasileira como de “notável resiliência”, atribuindo parte desse desempenho ao vigor do setor agroexportador.
O ministro da Agricultura, André de Paula, tem coordenado missões oficiais à China para avançar na abertura de novos mercados e na simplificação de barreiras sanitárias. Além da soja, que continua sendo o carro chefe, o país asiático ampliou as compras de milho, algodão e carne suína, o que indica uma diversificação gradual da pauta de exportações brasileiras e reduz a exposição a oscilações de preço de uma única commodity.
Dependência estratégica, riscos e oportunidades para o produtor
Apesar do cenário favorável, a concentração das exportações brasileiras em um único parceiro comercial gera preocupação entre analistas e especialistas do setor. Se por um lado a demanda chinesa garante escoamento confiável para a produção nacional, por outro lado qualquer desaceleração na economia asiática ou ruído nas relações diplomáticas pode comprometer a renda do produtor. Os dados do Comex Stat mostram que a China responde por cerca de um terço de todas as exportações brasileiras, um nível de dependência que exige planejamento estratégico de curto e médio prazo.
O produtor precisa olhar tanto para fora quanto para dentro da porteira.
A diversificação de mercados surge como o caminho mais indicado para reduzir a vulnerabilidade externa. Países da África, do Sudeste Asiático e do Oriente Médio aparecem como destinos promissores para o agro brasileiro, mas a consolidação dessas parcerias ainda demanda tempo e investimento em infraestrutura logística, armazenagem e acordos sanitários. O Brasil precisa equilibrar a oportunidade imediata do mercado chinês com a construção de uma rede de comércio mais ampla e resiliente.
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