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Grupo chinês avalia usina de energia a partir de resíduos sólidos em Mato Grosso

Redação
03/06/2026 às 09:18
Grupo chinês avalia usina de energia a partir de resíduos sólidos em Mato Grosso

Comitiva do Grupo Zhongtuo foi recebida por representantes do governo estadual e de municípios enquanto avalia projetos de energia a partir de resíduos, biometano, biomassa e GNL.

O Grupo Zhongtuo, conglomerado chinês da Província de Sichuan, iniciou uma agenda em Mato Grosso para avaliar oportunidades no setor de energia, com foco em uma usina de tratamento de resíduos sólidos capaz de gerar eletricidade por meio de tecnologia Waste to Energy.

A movimentação envolve reuniões com a Sedec, a Invest MT, a Prefeitura de Cuiabá, a Prefeitura de Lucas do Rio Verde e a Fiemt. Na mesa, entraram alternativas para biometano, biomassa e GNL, além de incentivos fiscais que podem dar fôlego ao negócio.

Mato Grosso tenta transformar volume produtivo em vantagem energética.

Investimento mira resíduos e energia limpa

A proposta central em análise é uma unidade de tratamento de resíduos sólidos com geração de energia por processos térmicos controlados, em modelo conhecido como Waste to Energy. A tecnologia, conhecida internacionalmente como WTE, pode reduzir a pressão sobre aterros e criar uma nova rota para materiais que hoje têm baixo aproveitamento econômico, só que ainda depende de modelagem financeira, garantias de fornecimento e licenciamento adequado.

A secretaria adjunta de Agronegócios, Crédito e Energia da Sedec, Linacis Vogel Lisboa, destacou que também foram discutidas possibilidades futuras de aproveitamento energético de resíduos gerados pelas atividades agropecuárias, setor em que Mato Grosso é um dos maiores produtores do país.

Esse ponto pesa porque o estado combina produção agrícola, pecuária forte e polos urbanos em expansão. A diferença pode estar em organizar a matéria prima que nasce porteira para dentro e chega às cidades, criando escala para projetos de sustentabilidade sem perder de vista o preço da energia e a viabilidade para empresas e municípios.

Comitiva chinesa avalia projeto de energia com resíduos em Mato Grosso
Grupo chinês avalia alternativas para geração limpa a partir de resíduos em Mato Grosso

As conversas também tocaram nos incentivos fiscais. Para um empreendimento desse tipo, a conta não envolve apenas tecnologia. Entram logística, contratos de longo prazo, segurança regulatória e previsibilidade, como ocorre em qualquer decisão de investimento que precisa atravessar variações de câmbio, crédito e cotações de insumos.

Agenda chinesa amplia interesse por Mato Grosso

A missão internacional segue até 4 de junho, dentro da programação do FIT Pantanal Business Meeting 2026. O roteiro reforça o interesse de grupos asiáticos por Mato Grosso, região que virou vitrine para energia renovável, alimentos, infraestrutura e novas plantas industriais ligadas ao agronegócio.

E não para por aí. Em paralelo, foram citados outros movimentos de capital chinês no estado, entre eles uma indústria de US$ 400 milhões em Lucas do Rio Verde, uma fábrica estimada em R$ 600 milhões, além do interesse de uma gigante da suinocultura e de projetos em Rondonópolis.

Mas a verdade é que o avanço dependerá da conversão das agendas em contratos. No fim das contas, a visita abre uma janela para que Mato Grosso tente transformar resíduos em receita, energia e reputação ambiental, sem tratar o tema como promessa distante. O último passo, agora, é separar intenção de investimento efetivo.

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