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Brasil e Suriname ampliam cooperação agropecuária com foco em exportações de proteínas e genética

Redação
27/05/2026 às 12:21
Ministros do Brasil e Suriname em reuniao de cooperacao agricola em Brasilia

O comércio bilateral de produtos agropecuários entre Brasil e Suriname saltou 106% em uma década, e o governo brasileiro vê espaço para avançar ainda mais com a abertura de novas frentes de exportação de proteínas animais e material genético. O assunto foi tema de reunião em Brasília nesta terça-feira (26) entre o ministro da Agricultura, André de Paula, e o ministro da Agricultura, Pecuária e Pesca do Suriname, Mike Noersalim.

Comercio bilateral Brasil-Suriname em expansao

IndicadorDado
Crescimento do comercio bilateral em 10 anos106%
Foco dos acordosExportacao de proteinas e genetica animal
Principais produtos brasileirosCarne bovina, genetica, milho, soja
Potencial do SurinameExpansao da fronteira agricola no norte da America do Sul
Fonte: MAPA e governo do Suriname

O encontro ocorreu na sede do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e teve como eixo central a ampliação do comércio bilateral e o fortalecimento da cooperação técnica e sanitária entre os dois países. As exportações brasileiras para o Suriname somaram aproximadamente US$ 54,9 milhões em 2025, contra US$ 26,7 milhões registrados em 2016, segundo dados oficiais do Mapa.

Proteína animal e genética na pauta

Um dos pontos centrais da negociação foi a expansão das exportações de proteínas animais. O Brasil aguarda o retorno surinamês sobre propostas de certificados sanitários para carne bovina e frango in natura, além do envio dos requisitos para exportação de pintos de um dia. O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua, afirmou que o fornecimento de material genético avícola pode ser uma oportunidade concreta para o Suriname desenvolver sua indústria local. “Assim como já fazemos com diversos países da região, estamos prontos para fornecer material genético de alta qualidade, reconhecido mundialmente”, declarou.

Entre os produtos que já abastecem o mercado surinamês estão carne de frango in natura (cerca de US$ 7,7 milhões por ano), preparações de carne (US$ 3,2 milhões), óleo de soja refinado (US$ 2 milhões), alimentação infantil (US$ 1,6 milhão) e café solúvel (US$ 1,3 milhão). Os dados são do Mapa e mostram uma cesta diversificada de exportações brasileiras para o país vizinho.

Cooperação contra pragas que ameaçam a produção

Na reunião, foi formalizado um termo de cooperação técnica voltado ao controle e à erradicação da mosca-da-carambola, praga quarentenária presente na região amazônica. A praga é considerada uma das maiores ameaças fitossanitárias para a fruticultura brasileira e atinge frutas como carambola, manga, goiaba e cítricos, provocando perdas produtivas significativas e restrições comerciais. As ações conjuntas de vigilância de fronteira e monitoramento fitossanitário foram apontadas como fundamentais para evitar a disseminação entre os dois países.

Foto Percio Campos/MAPA

A delegação surinamesa também relatou preocupação com a vassoura-de-bruxa da mandioca, doença que vem afetando áreas produtoras no país. A praga provoca deformações, brotações excessivas e queda significativa da produtividade. O governo do Suriname manifestou interesse em ampliar a cooperação técnica com o Brasil em pesquisa, monitoramento e manejo integrado da doença. O histórico de cooperação entre a Embrapa e o Suriname já inclui iniciativas em cana-de-açúcar, arroz, cacau, pecuária e agricultura sustentável.

Novos mercados e desafios logísticos

As delegações discutiram ainda a introdução de cultivares de maracujá adaptadas ao clima do Suriname, a regularização de operações com arroz brasileiro e os desafios logísticos no transporte de produtos agropecuários entre os dois países. O ministro André de Paula classificou o encontro como estratégico para consolidar os laços de cooperação. “Temos um histórico sólido entre a Embrapa e o Suriname, com iniciativas já desenvolvidas em diversas áreas”, afirmou.

O ministro surinamês Mike Noersalim ressaltou que a cooperação bilateral pode gerar benefícios mútuos, contribuindo para a segurança alimentar regional e o desenvolvimento das populações dos dois países. O avanço nas negociações representa uma oportunidade para o agronegócio brasileiro ampliar sua presença no mercado norte da América do Sul, uma região com potencial de crescimento para proteínas animais, genética e tecnologia agrícola.

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