O cenário para a pecuária de corte brasileira neste encerramento de fevereiro de 2026 é marcado por um otimismo cauteloso, fundamentado em pilares sólidos de oferta e demanda que têm sustentado os preços da arroba em patamares elevados
De acordo com dados recentes do Indicador do Boi Gordo CEPEA/ESALQ, referência para o estado de São Paulo, o mercado mantém uma trajetória de valorização consistente, operando acima da barreira dos R$ 330,00 durante a maior parte do mês.
Este movimento de alta não é fruto de um evento isolado, mas sim de uma conjuntura de fatores que favorecem o produtor. Até o dia 24 de fevereiro, o Indicador registrou um avanço acumulado de 7,1%, evidenciando que a pressão compradora por parte dos frigoríficos continua superando a disponibilidade de animais prontos para o abate.
Os Pilares da Valorização
A sustentação dos preços atuais repousa sobre três fatores principais:
- Oferta restrita: O campo atravessa uma janela de baixa disponibilidade de gado terminado. A entressafra e o ciclo pecuário atual limitam o volume de animais que chegam às indústrias, forçando os compradores a ofertar valores mais altos para garantir suas escalas de abate;
- Exportações recordes: O mercado externo tem sido o grande motor da pecuária neste início de ano. Os embarques de carne bovina brasileira apresentam um desempenho recorde, impulsionados pela demanda global aquecida e pela competitividade do produto nacional no exterior;
- Demanda interna: Apesar das pressões inflacionárias que muitas vezes afetam o consumo doméstico, o mercado interno tem demonstrado uma firmeza surpreendente, absorvendo parte significativa da produção e evitando sobras que poderiam pressionar os preços para baixo.
A valorização não se restringe apenas ao boi gordo. O mercado de reposição também sente o reflexo desse otimismo. No Mato Grosso do Sul, o bezerro nelore (8 a 12 meses) apresentou uma alta de 4,56% até o dia 24 de fevereiro. Esse aumento no custo da reposição é um ponto de atenção para o pecuarista, pois exige uma gestão financeira mais rigorosa para garantir a rentabilidade do próximo ciclo produtivo.




