Com média de R$ 335,69 por arroba, o mercado mato-grossense ganha sustentação, mas a folga nas escalas mantém a alta sob controle.
O boi gordo abriu junho com passo firme em Mato Grosso, embora sem corrida de compradores. A arroba à vista avançou 0,55% no levantamento do IMEA de 01/06/2026 e chegou à média estadual de R$ 335,69. O movimento confirma um mercado mais sustentado, com frigoríficos ajustando ofertas, mas ainda distante de uma virada forte.
Na prática, o pecuarista ganhou algum fôlego para negociar, principalmente nas praças onde a arroba se aproximou de R$ 338. Mesmo assim, a leitura na ponta do lápis segue cuidadosa. As escalas de abate ainda alongadas reduzem a urgência das indústrias e impedem que a melhora vire disparada nas cotações.
Preços sobem em quase todas as praças, com teto perto de R$ 338 por arroba
O avanço foi espalhado pelo estado. Cuiabá, Cáceres, Rondonópolis, Lucas do Rio Verde, Tangará da Serra e Primavera do Leste trabalharam a R$ 338,30 por arroba, com alta de 0,68%. Esse grupo formou o maior patamar do dia e mostra que a reposição de oferta, embora presente, não derrubou a referência nas áreas de maior disputa.
Sorriso também ficou perto do topo, a R$ 337,65, enquanto Sinop marcou R$ 336,65 e teve uma das maiores variações, com ganho de 0,93%. Colíder apareceu a R$ 338,00, reforçando a sustentação no norte do estado. Na outra ponta, Juína ficou em R$ 329,93, seguida por Brasnorte, São Félix do Araguaia e Sapezal, onde os preços ficaram abaixo da média estadual.
Indicador
Praça
R$/@
Var
Boi gordo
Média MT
R$ 335,69
+0,55%
Boi gordo
Cuiabá
R$ 338,30
+0,68%
Boi gordo
Rondonópolis
R$ 338,30
+0,68%
Boi gordo
Sorriso
R$ 337,65
+0,70%
Boi gordo
Sinop
R$ 336,65
+0,93%
Boi gordo
Barra do Garças
R$ 335,30
+0,69%
Boi gordo
Sapezal
R$ 332,30
+0,70%
Boi gordo
Juína
R$ 329,93
+0,48%
Vaca gorda
Média MT
R$ 308,10
+0,38%
Vaca gorda
Cuiabá
R$ 310,50
+0,49%
A vaca gorda acompanhou o tom positivo, mas com menor intensidade. A média estadual ficou em R$ 308,10 por arroba, alta de 0,38%, enquanto Cuiabá registrou R$ 310,50. A diferença entre categorias ajuda a mostrar que a demanda existe, mas segue seletiva na formação dos negócios.
Escalas acima de 10 dias limitam euforia, mesmo com China no radar
O ponto de freio está nas programações de abate. A média estadual ficou em 10,2 dias, com aumento de 0,46%. No Noroeste, as escalas chegaram a 11,9 dias, e no Nordeste, a 11,8 dias. Oeste também passou de dez dias, com 10,9 dias. Esse colchão dá margem aos frigoríficos para negociar sem pressa.
Nas regiões Norte, Centro-Sul e Sudeste, as escalas ficaram abaixo de dez dias, o que pode abrir espaço para ajustes pontuais caso a oferta de animais prontos encurte. Ainda assim, a indústria não parece obrigada a elevar lances de forma agressiva. O produtor que consegue segurar o lote observa melhor poder de barganha, mas precisa medir custo, pasto e prazo antes de travar venda.
O câmbio também entra no cálculo. Com o dólar PTAX a R$ 5,03 em 01/06, a exportação segue no radar, especialmente pela demanda chinesa, mas o reflexo na arroba depende da combinação entre embarques, compra interna e ritmo das escalas. Por ora, Mato Grosso vive um mercado de alta moderada, sustentado, porém sem euforia.