Déficit hídrico eleva o risco produtivo em áreas de Goiás e Mato Grosso do Sul, veja a seguir
O desenvolvimento do milho segunda safra avança pelo Brasil em um cenário marcado pela irregularidade das chuvas e pela persistência de temperaturas elevadas, fatores que têm influenciado diretamente o desempenho das lavouras nesta fase do ciclo. De acordo com o monitoramento da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), as condições gerais ainda são consideradas favoráveis ao manejo e ao desenvolvimento da cultura em grande parte das regiões produtoras, embora tenha apresentado má distribuição das chuvas e redução dos volumes em alguns estados produtores.
Nesse contexto, Mato Grosso do Sul e Goiás, importantes polos da produção de milho segunda safra, vêm apresentando comportamentos distintos em resposta às condições meteorológicas observadas nas últimas semanas.
No Mato Grosso do Sul, as chuvas ocorridas foram esparsas e, em alguns momentos, dificultaram a conclusão do plantio nas áreas remanescentes. No geral, as lavouras mantêm um bom desenvolvimento, porém o setor vem enfrentando desafios fitossanitários, com o aumento da incidência de lagartas do gênero Spodoptera e da lagarta-do-cartucho, o que requer maior atenção e intensificação do manejo nas lavouras. O principal ponto de atenção, concentra-se em áreas do sudoeste e sul do estado, onde a combinação de baixos volumes de chuva e temperaturas elevadas tem contribuído para a redução dos estoques de água no solo.
No município de Dourados, por exemplo, as estimativas do Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária (SISDAGRO) indicam déficit hídrico persistente ao longo do ciclo, refletindo no aumento da perda do potencial produtivo do milho segunda safra (Figura 1). Este sistema considera indicadores agrometeorológicos, como precipitação, evapotranspiração e o balanço hídrico do solo, para avaliar os impactos das condições climáticas sobre o desempenho das culturas.
Figura 1: Estimativa de perda de produtividade para a cultura do milho no período de 20 de fevereiro a 28 de abril em Dourados (MS).
Em Goiás, apesar da redução das chuvas nas últimas semanas, a umidade ainda presente no solo tem contribuído para o desenvolvimento das lavouras de milho segunda safra em grande parte do estado. No entanto, esse cenário tem apresentado sinais de mudança, principalmente nas regiões Sul e Leste, onde a combinação de baixos acumulados de chuva e temperaturas mais elevadas tende a intensificar a perda de água do solo. Nessas áreas, a redução da disponibilidade hídrica ocorre em um momento crítico para o ciclo da cultura, já que grande parte das lavouras se encontra nas fases de floração e enchimento de grãos, estádios em que o milho exige maior demanda por água. Clique aqui e acompanhe o agro.
A restrição hídrica nesse período pode afetar diretamente a formação e peso dos grãos. No município de Rio Verde, localizado no sul de Goiás, as estimativas do SISDAGRO indicam aumento do déficit hídrico a partir do mês de março, com reflexos já observados sobre o potencial produtivo da cultura, com uma estimativa de perda de 52,6% (Figura 2).
Esse cenário indica que, caso a irregularidade das chuvas persista nos próximos dias, sobretudo no Sul do estado, o milho segunda safra poderá enfrentar limitações no desenvolvimento, com prejuízos à qualidade dos grãos e no rendimento final das lavouras, configurando um quadro de maior risco produtivo (Figura 2).
Figura 2: Estimativa de perda de produtividade para a cultura do milho no período de 20 de fevereiro a 28 de abril de 2026 em Rio Verde (GO).