O mercado do algodão vive um momento de forte pressão, confira!
Setembro começou com uma notícia que acendeu o alerta entre os cotonicultores brasileiros. O Indicador do algodão em pluma CEPEA/ESALQ-USP registrou uma queda acentuada, operando abaixo de R$ 3,80 por libra-peso, um patamar que não era visto há mais de dois anos. Essa baixa reflete uma combinação de fatores que vão desde o campo até o cenário internacional, criando um ambiente de incerteza e exigindo cautela de todos os elos da cadeia produtiva.
O avanço da colheita da safra 2024/25 aumenta a oferta do produto no mercado, enquanto a demanda, tanto interna quanto externa, não acompanha o mesmo ritmo. Para o produtor, entender essa dinâmica é fundamental para tomar as melhores decisões de comercialização e planejar os próximos passos em um mercado tão volátil como o do algodão.
Por que o preço do algodão está caindo?
A principal razão para a queda nos preços é a lei da oferta e da procura. Com o avanço da colheita e do beneficiamento da safra 2024/25 em todo o país, uma grande quantidade de algodão novo chega ao mercado. Esse aumento repentino na disponibilidade de lotes pressiona naturalmente os valores para baixo. O beneficiamento, processo que separa a pluma do caroço, está a todo vapor, o que significa que mais produto está pronto para ser comercializado.
Além do volume da safra, a necessidade de liquidez por parte de alguns produtores também influencia o cenário. Vendedores que precisam fazer caixa para honrar compromissos financeiros ou investir na próxima safra mostram-se mais flexíveis nas negociações, aceitando valores menores para garantir a venda. Esse movimento, somado à maior oferta, intensifica a tendência de baixa. Fatores externos, como a desvalorização do dólar e a queda nas cotações internacionais, completam o quadro, tornando o mercado doméstico menos atrativo para exportação e concentrando ainda mais a oferta internamente.
A estratégia dos produtores diante da baixa
Diante de um mercado spot desfavorável, muitos cotonicultores estão adotando uma postura estratégica para proteger sua rentabilidade. A principal tática tem sido se afastar das negociações imediatas, o chamado mercado spot, onde o preço é definido no dia da transação. Em vez disso, o foco se volta para o cumprimento dos contratos a termo, que foram fechados antecipadamente a valores mais vantajosos do que os praticados atualmente. Essa modalidade de venda futura funciona como um seguro, garantindo um preço mínimo e trazendo previsibilidade ao negócio.
A decisão de quando e como vender torna-se um grande desafio. Para o produtor, as opções no dia a dia se resumem a um cálculo cuidadoso de risco e necessidade. Algumas das estratégias observadas no campo incluem:
- Segurar o estoque não contratado, apostando em uma possível recuperação dos preços nos próximos meses.
- Vender apenas o volume mínimo necessário para cobrir custos operacionais imediatos, como folha de pagamento e insumos.
- Priorizar a entrega de lotes de alta qualidade para os contratos já firmados, garantindo a satisfação do cliente e a manutenção de boas parcerias.
- Monitorar constantemente o mercado cambial e as bolsas internacionais para identificar a melhor janela de oportunidade para negociar o volume remanescente.
Como as indústrias têxteis reagem ao cenário?
Do outro lado do balcão, a indústria têxtil, principal compradora do algodão em pluma, também age com extrema cautela. A queda nos preços poderia parecer, à primeira vista, uma excelente notícia para as fiações e tecelagens, pois representa a redução no custo da principal matéria-prima. No entanto, o cenário econômico geral, com juros ainda altos e um consumo que inspira cuidados, leva os compradores a adotarem uma postura mais conservadora. Eles evitam formar grandes estoques, temendo uma retração na demanda por produtos acabados, como roupas e tecidos.
Pesquisadores do Cepea explicam que compradores têm atuado com cautela, realizando aquisições pontuais. Além disso, algumas indústrias estão abastecidas e/ou recebem matéria-prima de programações que atendem às necessidades imediatas.




