Os orgânicos não são melhores para o meio ambiente e são moda, enquanto o cultivo convencional usa produtos testados e aprovados por três ministérios e é monitorado. Mas, de qualquer forma, a orgânica tem seu espaço e importância para a população
*Por Ciro Rosolem*

Os orgânicos não são melhores para o meio ambiente. Ao se colocar, por exemplo, que eles evitam a contaminação em cadeia das áreas agrícolas e dos cursos d’água, se assume que a produção tradicional contamina, o que não é verdade. Agroquímicos, desde que aplicados de acordo com as recomendações técnicas, têm efeito negligível sobre abelhas e não deixam resíduos no solo ou na água.
Entretanto, e principalmente, há um fator fundamental pelo qual a produção orgânica de alimentos é muito pior do que a convencional para o meio ambiente: ela emite muito mais gases de efeito estufa. Portanto, é muito pior em relação ao potencial de aquecimento global.
Vejamos: Primeiro, a agricultura orgânica tem produtividade bem menor que a convencional. Assim, exige mais terra para produzir quantidade semelhante de alimentos e usar mais terra significa desmatar mais. Estima-se que, somente no Brasil, a moderna tecnologia agrícola evitou que fossem desmatados, aproximadamente, 70 milhões de hectares de florestas. Esta é uma área maior que a atualmente explorada para a produção de grãos no Brasil.
Segundo, além de usar mais terra, como a área é maior, a emissão de carbono para a produção, que guarda relação com a área, é também maior. Ainda, quanto maior a produtividade, menor o índice de emissão de gases de efeito estufa, por unidade de produto. Como na agricultura orgânica a produtividade é mais baixa, a pegada de carbono dos produtos é maior.



