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Abate recorde das fêmeas valoriza reposição no mercado do boi

Danni Balieiro
20/03/2026 às 16:32
Abate recorde das fêmeas valoriza reposição no mercado do boi

O cenário da pecuária brasileira em 2026 atravessa um momento de reconfiguração profunda, marcado por um fenômeno que os analistas chamam de “virada do ciclo pecuário”. Os dados mais recentes divulgados pelo IBGE confirmam que o país atingiu um patamar histórico no abate de fêmeas em 2025, o que agora reflete diretamente na valorização expressiva dos animais de reposição, como o bezerro.

Em 2025, o Brasil registrou números sem precedentes na indústria frigorífica. Foram abatidas 13,5 milhões de vacas adultas e 6,5 milhões de novilhas, representando crescimentos expressivos de 15,8% e 23,5%, respectivamente, em comparação ao ano anterior. Esse incremento de 3 milhões de fêmeas retiradas do sistema produtivo em apenas um ano — sendo 1,8 milhão de vacas e 1,2 milhão de novilhas — explica a escassez de oferta que o mercado experimenta hoje.

A lógica por trás desses números é cíclica: quando o preço do bezerro cai, o produtor perde o incentivo para manter matrizes, enviando-as para o gancho. No entanto, o abate massivo de “fábricas de bezerros” acaba por reduzir a capacidade produtiva do rebanho nacional a médio prazo. O que vimos em 2025 foi o ápice desse descarte, limpando o caminho para a escassez de oferta que estamos vivenciando nesta parcial de 2026.

O salto no preço da reposição

boi

A consequência direta dessa redução no plantel de fêmeas é o encarecimento da reposição. Com menos vacas parindo, a oferta de bezerros minguou, elevando os preços a patamares que não eram vistos há anos. De acordo com o levantamento do Cepea/Esalq, focado no Mato Grosso do Sul, o bezerro Nelore (8 a 12 meses) atingiu a média de R$ 3.254,37 na parcial de março de 2026.

Este valor representa:

  • Uma alta de 3% em relação a fevereiro de 2026;
  • Um salto real de 24,3% em comparação a março de 2025 (ajustado pela inflação via IGP-DI).

A maior média mensal registrada desde junho de 2021, período que também foi marcado por preços recordes na pecuária de corte.

Impactos no planejamento do pecuarista

Para o pecuarista que atua na recria e engorda, o cenário exige cautela e gestão financeira aguçada. A valorização real de quase 25% no custo do bezerro em um ano aperta as margens de lucro, já que o animal de reposição é o principal insumo dessa atividade.

O mercado agora observa atentamente se a retenção de fêmeas começará a ocorrer de forma mais agressiva. Com o bezerro custando acima de R$ 3,2 mil, a tendência natural é que os produtores voltem a investir na cria, segurando as novilhas e vacas no pasto para produzir novos animais. Contudo, como o ciclo biológico do bovino é longo, esse equilíbrio entre oferta e demanda ainda deve levar alguns semestres para se estabilizar.

Perspectivas para 2026

A valorização atual não parece ser um surto isolado, mas sim a consolidação de uma fase de preços altos na reposição. Enquanto o consumo interno de carne bovina tenta se recuperar e as exportações permanecem aquecidas, o “gargalo” da produção (o bezerro) continuará ditando o ritmo dos custos.

O recorde de abates de 2025 serviu como um “ajuste de estoque” severo no campo. Agora, em 2026, o mercado paga o preço dessa redução produtiva. Para quem está na ponta da cria, o momento é de otimismo e capitalização; para os invernistas, o desafio é otimizar o ganho de peso para compensar o alto investimento na compra do animal. Clique aqui e acompanhe o agro.

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