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Temperamento do gado da raça Brangus foi avaliado pela Embrapa

Danni Balieiro
23/03/2026 às 17:00
Temperamento do gado da raça Brangus foi avaliado pela Embrapa

Pesquisadores da Embrapa Pecuária Sul vêm utilizando uma metodologia simples e objetiva para avaliar o temperamento de bovinos da raça Brangus

O comportamento dos animais Brangus é um dos focos de um projeto de melhoramento genético da raça, que busca identificar animais mais dóceis, que posteriormente serão utilizados em cruzamentos, para a formação de linhagens com essa característica de comportamento.

O método mede a chamada velocidade de fuga, indicador que revela o grau de reatividade do animal durante o manejo. A metodologia é utilizada em estudos sobre comportamento animal e para a seleção de animais Brangus mais dóceis e adaptados aos sistemas de produção do sul do Brasil. No mês de março, machos e fêmeas entre um e dois anos passaram pela avaliação nos campos experimentais da Embrapa, em Bagé (RS).

A iniciativa integra o projeto de melhoramento genético da raça Brangus, que busca aprimorar características produtivas e comportamentais com apoio da genômica. Álvaro Fonseca, médico veterinário da Embrapa Pecuária Sul, salienta que esse é um procedimento que serve como base para classificar os animais com temperamento menos reativo, relacionando a docilidade, podendo servir como ferramenta de seleção ou descarte de animais.

O sistema funciona em um trajeto curto, de cerca de 2,70 metros, equipado com sensores na entrada e na saída. Quando o animal passa pelo primeiro sensor, o tempo começa a ser registrado. Ao cruzar o segundo sensor, o sistema marca a saída e calcula automaticamente o tempo e a velocidade com que o bovino percorreu o percurso. A partir dessa informação, é possível calcular o tempo de fuga e a velocidade de fuga do animal.

“Os animais mais dóceis têm uma tendência de fazer em maior tempo o trajeto. É um animal que vai sair caminhando lentamente, que vai manter um comportamento mais tranquilo. Então, com isso, conseguimos identificar aqueles animais que serão selecionados pela pesquisa”.

Alvaro Fonseca – Médico Veterinário
brangus
Animais que participaram da avaliação (Créditos: Embrapa)

Já os animais mais reativos deixam o equipamento rapidamente, com maior velocidade de fuga.

Para aumentar a precisão da avaliação, cada animal passa por duas medições, e a média dos resultados gera um índice de temperamento. Esse indicador permite classificar os animais de acordo com o comportamento. Fonseca salienta que a partir desses resultados, conseguimos classificar o temperamento dos bovinos e identificar aqueles com comportamento mais calmo ou mais agitado no rebanho.

A identificação de bovinos mais dóceis é importante para o sistema produtivo, sendo uma das características que Embrapa está mensurando para o melhoramento genético da raça.

Animais com temperamento mais tranquilo facilitam o manejo, reduzem riscos de acidentes e contribuem para o bem-estar animal, além de favorecerem sistemas de produção mais eficientes. Além disso, o temperamento pode influenciar o desempenho e a eficiência produtiva, tornando-se um critério relevante na pecuária de corte.

Brangus – A raça teve origem nos Estados Unidos, no início do século XX, a partir do cruzamento entre animais das raças Aberdeen Angus e Brahman. No Brasil, os trabalhos começaram em 1945, na Fazenda Experimental Cinco Cruzes, em Bagé, onde hoje é a Embrapa Pecuária Sul, com cruzamentos entre animais Nelore e Angus.

Os primeiros animais com a composição genética 3/8 Nelore e 5/8 Angus nasceram em 1955. Inicialmente chamada de Ibagé, a raça passou a ser conhecida como Brangus-Ibagé e, mais tarde, consolidou-se apenas como Brangus. A proposta era desenvolver uma raça bovina adaptada às condições das pastagens naturais do Rio Grande do Sul e também às condições de regiões de clima tropical. Clique aqui e acompanhe o agro.

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