• Soja (MT)R$ 136,31-0.50%
  • Milho (MT)R$ 46,41-0.64%
  • Algodão (MT)R$ 126,140.00%
  • Boi Gordo (MT)R$ 345,94+0.43%
  • Leite (MT)R$ 2,39-0.30%

Suíno: poder de compra caiu, confira!

O setor de suinocultura no estado de São Paulo enfrenta um cenário de severo estrangulamento em suas margens de lucro neste mês de maio

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De acordo com dados parciais coletados pelo CEPEA, o poder de compra do produtor paulista de suínos registrou uma nova retração frente aos dois principais insumos utilizados na alimentação dos plantéis: o milho e o farelo de soja.

O panorama atual é reflexo de um descompasso mercadológico profundo. Embora os preços de comercialização do animal vivo, do cereal e do derivado da oleaginosa estejam operando em terreno negativo em termos gerais, a desvalorização do suíno tem se mostrado muito mais agressiva e acelerada do que a redução nos custos de nutrição. Essa assimetria de forças inviabiliza uma recuperação financeira imediata para o criador.

Quando analisada a relação de troca especificamente em relação ao milho, a situação atinge patamares alarmantes. Este já representa o oitavo mês consecutivo de perda no poder de compra do suinocultor. Como consequência direta desse movimento prolongado de baixa, a capacidade de conversão e aquisição do produtor atingiu o seu pior nível desde fevereiro de 2023, evidenciando uma crise de rentabilidade prolongada que corrói o capital de giro das granjas paulistas.

Tomando como referência a região de Campinas, um dos principais polos econômicos e produtivos do estado de São Paulo, os números traduzem com clareza o tamanho do desafio enfrentado no campo.

Durante a parcial de maio, o suinocultor local conseguiu adquirir, em média, as seguintes quantidades de insumos por cada quilograma de animal vivo comercializado:

  • Farelo de soja: 3,18 kg
  • Milho: 4,96 kg

Ao comparar esses números com o fechamento do mês anterior (abril), observa-se uma perda imediata na capacidade de compra de 6% para o farelo de soja e de 4,9% para o milho.

No entanto, o verdadeiro impacto da crise se revela quando o confronto é feito com o mesmo período do ano passado. Em termos interanuais, a derrocada do poder de compra atinge níveis críticos: a capacidade de aquisição de farelo de soja desabou 33,2%, enquanto a de milho despencou 29,1%. Isso significa que o produtor precisa desembolsar muito mais quilos de carne para manter o mesmo nível de nutrição animal de outrora.

Dinâmica de preços

O comportamento dos preços do suíno vivo ao longo das últimas semanas ajuda a explicar a consolidação desse cenário desfavorável. O mês de abril foi marcado por quedas sucessivas e ininterruptas nas cotações do animal. Na tentativa de reverter esse quadro, o mercado esboçou uma reação no início de maio. Durante a primeira quinzena do mês, a procura da indústria e dos consumidores por carne suína registrou um aquecimento pontual, o que permitiu uma leve recuperação nas cotações praticadas no mercado físico.

Apesar do fôlego momentâneo, essa reação pontual não foi robusta o suficiente para alterar a média mensal, que seguiu pressionada pelas perdas acumuladas anteriormente.

As projeções para o restante do mês tampouco trazem alívio. Com a entrada e o avanço da segunda quinzena de maio, o consumo interno sazonalmente perde força devido ao aperto orçamentário das famílias no final do mês. Diante desse comportamento do consumidor final, a tendência técnica sinaliza que os valores pagos pelo suíno vivo não devem registrar novos aumentos ou reações. O setor produtivo agora trabalha com a expectativa voltada para o início de junho, período em que a entrada dos salários na economia costuma injetar nova liquidez no mercado e, potencialmente, estabilizar a demanda. Clique aqui e acompanhe o agro.

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Sobre o autor

Dannì Galvão

Cofundadora e Especialista em Mercado Financeiro11+ anos de experiência

Cofundadora do Agronews, empresária e especialista em mercado financeiro. Acompanha as movimentações do setor, desde cotações e tendências de mercado até análises técnicas e eventos do agronegócio.

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