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Suíno: poder de compra caiu, confira!

Dannì Galvão
21/05/2026 às 11:39
suíno

O setor de suinocultura no estado de São Paulo enfrenta um cenário de severo estrangulamento em suas margens de lucro neste mês de maio

De acordo com dados parciais coletados pelo CEPEA, o poder de compra do produtor paulista de suínos registrou uma nova retração frente aos dois principais insumos utilizados na alimentação dos plantéis: o milho e o farelo de soja.

O panorama atual é reflexo de um descompasso mercadológico profundo. Embora os preços de comercialização do animal vivo, do cereal e do derivado da oleaginosa estejam operando em terreno negativo em termos gerais, a desvalorização do suíno tem se mostrado muito mais agressiva e acelerada do que a redução nos custos de nutrição. Essa assimetria de forças inviabiliza uma recuperação financeira imediata para o criador.

Quando analisada a relação de troca especificamente em relação ao milho, a situação atinge patamares alarmantes. Este já representa o oitavo mês consecutivo de perda no poder de compra do suinocultor. Como consequência direta desse movimento prolongado de baixa, a capacidade de conversão e aquisição do produtor atingiu o seu pior nível desde fevereiro de 2023, evidenciando uma crise de rentabilidade prolongada que corrói o capital de giro das granjas paulistas.

Tomando como referência a região de Campinas, um dos principais polos econômicos e produtivos do estado de São Paulo, os números traduzem com clareza o tamanho do desafio enfrentado no campo.

Durante a parcial de maio, o suinocultor local conseguiu adquirir, em média, as seguintes quantidades de insumos por cada quilograma de animal vivo comercializado:

  • Farelo de soja: 3,18 kg
  • Milho: 4,96 kg

Ao comparar esses números com o fechamento do mês anterior (abril), observa-se uma perda imediata na capacidade de compra de 6% para o farelo de soja e de 4,9% para o milho.

No entanto, o verdadeiro impacto da crise se revela quando o confronto é feito com o mesmo período do ano passado. Em termos interanuais, a derrocada do poder de compra atinge níveis críticos: a capacidade de aquisição de farelo de soja desabou 33,2%, enquanto a de milho despencou 29,1%. Isso significa que o produtor precisa desembolsar muito mais quilos de carne para manter o mesmo nível de nutrição animal de outrora.

Dinâmica de preços

O comportamento dos preços do suíno vivo ao longo das últimas semanas ajuda a explicar a consolidação desse cenário desfavorável. O mês de abril foi marcado por quedas sucessivas e ininterruptas nas cotações do animal. Na tentativa de reverter esse quadro, o mercado esboçou uma reação no início de maio. Durante a primeira quinzena do mês, a procura da indústria e dos consumidores por carne suína registrou um aquecimento pontual, o que permitiu uma leve recuperação nas cotações praticadas no mercado físico.

Apesar do fôlego momentâneo, essa reação pontual não foi robusta o suficiente para alterar a média mensal, que seguiu pressionada pelas perdas acumuladas anteriormente.

As projeções para o restante do mês tampouco trazem alívio. Com a entrada e o avanço da segunda quinzena de maio, o consumo interno sazonalmente perde força devido ao aperto orçamentário das famílias no final do mês. Diante desse comportamento do consumidor final, a tendência técnica sinaliza que os valores pagos pelo suíno vivo não devem registrar novos aumentos ou reações. O setor produtivo agora trabalha com a expectativa voltada para o início de junho, período em que a entrada dos salários na economia costuma injetar nova liquidez no mercado e, potencialmente, estabilizar a demanda. Clique aqui e acompanhe o agro.

AGRONEWS É INFORMAÇÃO PARA QUEM PRODUZ

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