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Frio avança e chuva põe Nordeste em alerta

Redação
04/06/2026 às 08:58
Frio avança e chuva põe Nordeste em alerta

Feriadão terá frio amplo, tempo firme no Sul e chuva perigosa no Nordeste.

A previsão do tempo desta quinta-feira, 4 de junho de 2026, marca a virada de padrão sobre boa parte do Brasil. Um centro de alta pressão de até 1035 hPa sobre o Atlântico passa a organizar a circulação de ventos e mantém o tempo firme no Sul e no Sudeste. Ao mesmo tempo, uma massa de ar frio de trajetória marítima avança pela costa e deve alcançar nove estados entre hoje e sábado.

O frio, porém, não será igual em todas as áreas. No Rio Grande do Sul, o ingresso de ar mais quente vindo do Nordeste da Argentina deve elevar as tardes no feriadão de Corpus Christi, com máximas entre 21°C e 27°C. As marcas típicas de inverno ficam mais concentradas nas madrugadas de altitude, com 2°C em São José dos Ausentes e 0°C em Urupema.

O principal alerta do dia está no Nordeste. O Inmet mantém aviso laranja de perigo para acumulado de chuva na Região Metropolitana de Recife, na Mata Pernambucana, na Mata Paraibana, no Leste Alagoano e em várias áreas da Bahia. O aviso vale até 23h59 desta quinta-feira e indica risco de alagamentos, encharcamento do solo e transtornos em áreas urbanas e rurais.

Previsão do tempo com frio no Sul e Sudeste e alerta de chuva no Nordeste

Sul e Sudeste têm feriadão de tempo firme e frio marítimo

No Rio Grande do Sul, a quinta-feira começa com nevoeiro e neblina entre a madrugada e a manhã, especialmente em baixadas, vales e áreas próximas de rios. Depois da dissipação, o sol predomina e ajuda a elevar a temperatura. A sexta-feira deve repetir o padrão, com nevoeiro matinal seguido de tempo aberto. No sábado, o sol aparece entre nuvens, enquanto o domingo tende a ter mais nebulosidade e chance de chuva no Oeste e no Sul gaúcho.

As tardes gaúchas serão agradáveis, com 21°C a 24°C na maior parte do estado. Na Fronteira Oeste e no Noroeste, a temperatura pode chegar a 27°C. Em Gramado, a tarde deve ficar perto de 22°C a 23°C, cenário favorável para turismo rural, circulação nas estradas e atividades ao ar livre depois da neblina.

Em Santa Catarina, o destaque é o frio de altitude, com mínima prevista de 0°C em Urupema. O Leste catarinense segue sob influência dos ventos úmidos do oceano, enquanto o restante do estado tem tempo mais aberto. No Paraná, o Leste deve ter mais nebulosidade e garoa em alguns momentos pela umidade marítima, mas o Oeste permanece estável.

No Sudeste, São Paulo terá noites frias, com 10°C a 13°C na capital e tardes amenas perto de 20°C. O Sul de Minas e áreas montanhosas paulistas podem registrar geada, o que exige atenção de produtores de café, hortaliças e flores. Belo Horizonte sente queda mais consistente a partir de sexta-feira, com mínimas entre 10°C e 13°C. No Rio de Janeiro, a nebulosidade aumenta e pode chover por causa dos ventos úmidos do oceano. O Espírito Santo também entra na área influenciada pelo avanço do ar frio marítimo.

Centro-Oeste seco, Norte chuvoso e Nordeste sob alerta de perigo

No Centro-Oeste, a massa de ar seco mantém o sol forte em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal. A amplitude térmica será grande, com manhãs mais amenas e tardes aquecidas. Há alerta amarelo de declínio de temperatura em Goiás e Minas Gerais a partir desta quinta-feira, e o Leste goiano pode sentir noites mais frias no fim de semana.

No Norte, as chuvas seguem frequentes em áreas do Pará, Amazonas e Roraima. Os alertas de chuvas intensas continuam relevantes para trechos com solo já úmido, rios em atenção e transporte dependente de estradas vicinais. A combinação de pancadas fortes e recorrentes pode interromper deslocamentos e atrasar operações de abastecimento.

O Nordeste concentra a condição mais crítica da previsão do tempo. O aviso laranja de acumulado de chuva alcança Recife, a Zona da Mata de Pernambuco, a Mata da Paraíba e o Leste de Alagoas. Na Bahia, o mesmo nível de alerta atinge áreas do Centro Norte, Nordeste, Centro Sul, Região Metropolitana de Salvador e Sul Baiano. Salvador deve ter chuva forte nos próximos dias. No interior baiano, o avanço do ar frio marítimo pode surpreender com noites mais frias a partir do fim de semana.

Decisão no campo depende da janela certa em cada região

Para o produtor rural, o feriadão exige leitura regionalizada. No Sul, o nevoeiro matinal pode atrasar colheitas, tratos culturais, pulverizações e deslocamento de máquinas, mas as tardes mais quentes no Rio Grande do Sul abrem boas janelas depois da dissipação da umidade. Em áreas de serra, o frio nas primeiras horas do dia pede atenção ao manejo de animais e à logística de insumos.

Em São Paulo e Minas Gerais, a possibilidade de geada em áreas de altitude exige proteção de culturas sensíveis, principalmente café, hortaliças, flores e mudas. Medidas simples, como reforço de cobertura, irrigação manejada com critério e acompanhamento das mínimas locais, podem reduzir perdas em lavouras vulneráveis.

No Centro-Oeste, o ar seco favorece a colheita da segunda safra de milho, o avanço da logística e a manutenção de estradas em melhores condições. O ponto de atenção é a pulverização, já que a umidade baixa e o vento em horários críticos aumentam o risco de deriva e reduzem a eficiência das aplicações. No Nordeste, a chuva volumosa amplia risco de alagamentos em lavouras, erosão, atolamentos e dificuldade de colheita. No Norte, áreas com chuva recorrente devem monitorar possíveis interrupções logísticas.

Mudança no padrão atmosférico abre caminho para o El Niño costeiro

Para além dos efeitos imediatos, o padrão atmosférico dominante começa a dar sinais de transição. O El Niño costeiro no Pacífico tem ganhado força nas últimas semanas e, segundo análises da MetSul, o aquecimento anômalo das águas na costa do Peru e do Equador ameaça repetir cenários severos como os de 1997 e 1998, com chuvas extremas na região andina e impactos indiretos sobre o regime de chuvas no Brasil.

A Organização das Nações Unidas já emitiu alerta sobre a possibilidade de eventos climáticos extremos associados ao fortalecimento do fenômeno. Modelos meteorológicos divergem sobre a intensidade do El Niño previsto para os próximos meses, mas o consenso entre centros de monitoramento internacionais é de que o Pacífico equatorial entrou definitivamente em modo de aquecimento. Para o produtor brasileiro, isso significa que a segunda metade do ano pode reservar surpresas no regime de chuvas e temperaturas.

As informações foram elaboradas com base em análises da MetSul Meteorologia, em avisos oficiais do Inmet emitidos em 4 de junho de 2026 e em dados meteorológicos complementares usados para orientar o setor agropecuário.

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