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Preços do trigo seguem em alta

Dannì Galvão
12/05/2026 às 17:00
Preços do trigo seguem em alta

Confira a seguir informações sobre o mercado interno e externo do trigo

O setor tritícola brasileiro atravessa um momento de transição marcado por cautela e volatilidade. O início da temporada de inverno no Sul do país, tradicional celeiro do cereal, revela um cenário de contrastes: enquanto o plantio caminha em ritmo lento, o mercado físico registra valorizações sucessivas, impulsionadas por uma combinação de fatores logísticos, qualitativos e comportamentais de produtores e moinhos.

O ritmo da semeadura

A semeadura da safra 2026 de trigo já foi iniciada, com foco principal no estado do Paraná, mas os números oficiais mostram um atraso considerável em relação aos ciclos anteriores. De acordo com dados consolidados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até o dia 1º de maio, apenas 5% da área prevista para o território paranaense havia sido semeada.

Este desempenho está significativamente abaixo do patamar observado no mesmo período de 2025, quando o índice já atingia 14%. Mais alarmante é a comparação com a média quinquenal (dos últimos cinco anos), que se situa em 15,4%. No panorama nacional, o cenário não é muito diferente: o plantio alcançou 9,9% da área total, ficando aquém dos 13,1% registrados no ano anterior e da média histórica de 13%.

Vários fatores explicam essa inércia inicial:

  • Decisão do produtor: Há uma hesitação visível no campo. Mesmo com a recente recuperação nos preços pagos ao triticultor, o ânimo ainda é contido;
  • Custos de produção: O Departamento de Economia Rural (Deral/Seab) destaca que os altos custos dos insumos e da manutenção da lavoura continuam a pressionar as margens de lucro, desestimulando novos investimentos;
  • Redução de área: A tendência para o Paraná ainda é de retração na área semeada, com produtores migrando para culturas que apresentam um binômio risco-retorno mais atraente no momento.

Mercado interno: preços em ascensão

Se no campo o trabalho é lento, nas mesas de negociação o clima é de aquecimento. Os preços do trigo no mercado interno seguem em trajetória de alta, sustentados por uma dinâmica de oferta restrita.

A oferta remanescente da safra 2025 é limitada, o que confere ao vendedor um poder de barganha maior. Diante desse quadro, observa-se uma nítida retração vendedora: o produtor que ainda possui estoque prefere adiar as vendas, apostando que a escassez elevará ainda mais as cotações nos próximos meses. Essa postura “sentar em cima do estoque” encurta a liquidez no mercado spot e força os compradores a elevarem suas ofertas.

O dilema da importação

Um fator determinante para a sustentação dos preços nacionais é a situação do trigo importado, especialmente o proveniente da Argentina, nosso principal fornecedor externo. Atualmente, os moinhos brasileiros enfrentam dificuldades significativas em encontrar lotes argentinos que atendam aos requisitos de qualidade exigidos pela indústria moageira nacional.

Essa barreira técnica cria uma preferência forçada e estratégica pelo produto brasileiro. Como o trigo nacional disponível é escasso, mas possui, em muitos casos, uma classificação superior ou mais previsível que os lotes de importação recentes, a demanda interna se concentra ferozmente sobre o que resta da produção interna.

Perspectivas

O cenário atual para o trigo no Brasil é de ajuste de expectativas. A curto prazo, a tendência é de manutenção da firmeza nos preços, uma vez que não há previsão de entrada de nova safra no mercado de imediato. A longo prazo, a preocupação recai sobre o volume total que será colhido em 2026. Se a área semeada realmente confirmar a tendência de redução e o plantio continuar sofrendo atrasos, o país poderá aumentar sua dependência externa em um momento de mercado internacional instável.

Em suma, o triticultor brasileiro joga hoje um jogo de xadrez: equilibra os altos custos operacionais com a esperança de que a valorização do grão compense a menor escala de produção. Para o consumidor final, o reflexo dessa tensão pode ser sentido em breve na cadeia de derivados, como pães e massas, à medida que os custos de reposição dos moinhos continuam a subir. Clique aqui e acompanhe o agro.

AGRONEWS É INFORMAÇÃO PARA QUEM PRODUZ

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