O mercado cafeeiro global e brasileiro atravessou um mês de abril marcado por uma clara tendência de desvalorização
O principal motor por trás desse movimento foi o otimismo generalizado em relação à oferta para o ciclo 2026/27, impulsionado, sobretudo, pelas projeções de uma safra robusta no Brasil. Esse cenário de abundância futura influenciou diretamente o comportamento dos agentes financeiros e comercializadores, resultando em quedas significativas nas cotações tanto do café arábica quanto do robusta nos principais centros de negociação externa e interna.
A dinâmica dos preços
No contexto do mercado interno brasileiro, especificamente no polo de comercialização da capital paulista, o café arábica tipo 6 (bebida dura para melhor) sentiu o peso da expectativa de uma colheita farta. Em abril de 2026, o valor médio da saca de 60 kg fechou em R$ 1.811,87. Esse montante representa uma redução nominal de R$ 102,02 por saca quando comparado à média registrada em março (R$ 1.913,89), totalizando um recuo de 5,3% no curto prazo.
A análise torna-se ainda mais contundente quando observamos o desempenho em uma perspectiva anual. Comparado a abril de 2025, onde o preço médio (corrigido pelo IGP-DI de março de 2026 para fins de comparação em termos reais) era de R$ 2.476,40/sc, a queda é drástica: -26,8%, ou uma desvalorização real de R$ 664,53 por saca. Esse movimento reflete uma correção acentuada após períodos de preços historicamente elevados, ajustando o mercado à nova realidade produtiva.
O Desempenho do Café Robusta (Conilon)
O segmento do café robusta não ficou imune à pressão baixista. No Espírito Santo, principal estado produtor desta variedade, o Indicador tipo 6 (peneira 13 acima) apresentou uma retração ainda mais volátil. A média de abril fixou-se em R$ 917,15/sc, uma queda de 10,3% em relação aos R$ 1.021,92/sc de março.
A comparação anual para o robusta revela uma erosão de valor ainda mais acentuada que a do arábica. Em relação aos R$ 1.549,59/sc registrados em abril de 2025 (valores reais), o preço atual representa uma queda de 40,1%. Isso indica que, embora o robusta tenha tido picos de valorização nos anos anteriores devido a quebras de safra em outros países produtores, a recuperação da oferta global está normalizando os preços de forma acelerada.
Fatores de resistência
Apesar da tendência de queda ser dominante, alguns fatores atuaram como “amortecedores”, impedindo um colapso ainda maior nos preços:
Baixos estoques certificados: Na Bolsa de Nova York (ICE Futures), os níveis de café estocado permanecem em patamares baixos, o que sustenta um prêmio de risco e impede que as cotações derretam de forma descontrolada;
Tensões geopolíticas: Os conflitos no Oriente Médio continuam a injetar incerteza na logística global. Problemas nas rotas marítimas afetam o fluxo do produto entre produtores e os grandes mercados consumidores na Europa e EUA, gerando gargalos que mantêm certa pressão sobre os preços.
O Cenário na Bolsa de Nova York (ICE Futures)
No plano internacional, o contrato Julho/26 do café arábica encerrou o mês de abril cotado a 285,55 centavos de dólar por libra-peso. O recuo de 525 pontos em relação ao fechamento de março confirma que o sentimento do mercado é de antecipação. Com o início efetivo da colheita brasileira previsto para maio, os operadores já precificam a entrada física desse café no mercado.
O mês de abril de 2026 consolidou-se como um período de ajuste necessário. A perspectiva de uma safra 2026/27 vigorosa no Brasil é o fiel da balança, sugerindo que, a menos que ocorra um evento climático inesperado ou uma escalada geopolítica sem precedentes, o mercado deve continuar a operar sob o signo da oferta abundante. Para o produtor brasileiro, o desafio agora desloca-se da produtividade para a gestão de custos e estratégias de comercialização em um cenário de preços mais contidos. Clique aqui e acompanhe o agro.