O próximo Plano Safra pode ser recorde em recursos, mas o teste será fazer o crédito chegar ao produtor com custo menor.
O governo trabalha com um Plano Safra 2026 e 2027 de até R$ 550 bilhões e busca juros abaixo de 10% para parte das linhas de crédito rural.
Esse valor representaria avanço sobre os R$ 516 bilhões do ciclo 2025 e 2026, com lançamento previsto para 1º de julho de 2026 pelo presidente Lula.
A discussão ganha peso porque produtores chegam ao novo ciclo com margens apertadas, endividamento elevado, preços internacionais menos favoráveis e risco climático cada vez mais presente nas principais regiões agrícolas.
Crédito recorde ainda depende de negociação
A montagem do pacote envolve uma combinação de recursos controlados do Tesouro Nacional, recursos livres captados via Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e Cédulas de Produto Rural (CPR), além da participação de bancos públicos e privados na ponta do financiamento. Só que a conta final ainda depende de negociação com o Ministério da Fazenda e com o Congresso Nacional, especialmente para bancar a equalização de juros que permite oferecer taxas menores em linhas prioritárias de custeio, investimento e comercialização.
Mas a verdade é que volume recorde não garante acesso automático. O ponto crítico será transformar o anúncio em crédito disponível na ponta, principalmente para produtores pressionados por dívidas, restrição de garantias e necessidade de fôlego para financiar custeio, investimento e comercialização.
Juros menores são o principal teste do plano
Juros abaixo de dois dígitos aparecem como o principal diferencial do novo Plano Safra, sobretudo para o custeio agrícola.
E não para por aí. A meta de reduzir o custo do dinheiro se conecta ao debate sobre seguro rural, fundo garantidor e renegociação de dívidas, temas considerados centrais depois de uma sequência de quebras regionais, preços baixos de commodities e aumento da inadimplência em parte do campo.
No fim das contas, o anúncio oficial deve mostrar se o plano consegue equilibrar mais crédito, custo menor e proteção mais robusta contra risco climático. A CNA pediu R$ 623 bilhões, acima da projeção em análise, o que reforça a pressão por um pacote amplo e com execução eficiente.