Fairtrade ou Comércio Justo, é um movimento social e econômico, cujas experiências pioneiras datam do final de 1940. Este modelo alternativo de negócios tem feito a diferença na vida de famílias que vivem exclusivamente da agricultura e vem ganhando cada vez mais força no Brasil.

Em um momento em que o planeta enfrenta uma crise climática que ameaça a humanidade, os produtores e trabalhadores rurais integrantes do sistema Fairtrade (Comércio Justo) dão a sua contribuição através da gestão responsável e sustentável dos recursos naturais, que é uma das primícias do sistema.

Relações comerciais

Por ser um canal de comercialização mais direto entre produtores e consumidores, o Comércio Justo proporciona relações comerciais mais justas, com o pagamento de melhores preços pelos produtos Fairtrade. Para tanto, os produtores e trabalhadores Fairtrade devem cumprir uma série requisitos, que abrangem questões sociais, como o respeito aos direitos humanos, e ambientas, como a proteção e preservação do meio ambiente.

Atualmente, cerca de 10 mil famílias de pequenos(as) produtores(as) e trabalhadores(as) agrícolas que cultivam café, laranja, mel, castanha de caju, limão, manga, mamão, uva, guaraná, soja, ervas finas e especiarias – em mais de 50 associações e cooperativas de pequenos produtores e em fazendas integrantes do Comércio Justo – recebem os benefícios do Fairtrade.

Divulgações pelo Brasil

Modelo de negócio baseado em Fairtrade ganha força no Brasil

E para divulgar o Comércio Justo e quais são os benefícios para os produtores e consumidores, anualmente são promovidas uma série de atividades nos países produtores, como o Brasil, e nos principais países consumidores, em sua maioria integrantes do continente europeu.

Esse ano, o tema central da campanha mundial foi: “Ao semear o Comércio Justo colhemos esperança”. Esse tema foi amplamente divulgado pelas Organizações de Pequenos Produtores (OPPs) certificadas Fairtrade e pelas Cidades e Universidades Pelo Comércio Justo em diversos eventos de comemorações realizados em maio, Mês do Comércio Justo, e que se prolongam ao longo do ano.

A intenção dos eventos é promover os conceitos, princípios e valores do movimento mundial do Comércio Justo. Também se busca sensibilizar os consumidores e/ou futuros consumidores para o consumo responsável e sustentável, mostrando como os recursos provenientes da venda desses produtos beneficiam todos os envolvidos no sistema.

O Presidente da Cooperativa dos Produtores do Alto da Serra (ApasCoffee), que fica em São Gonçalo do Sapucaí (MG) e presidente da Associação das Organizações de Produtores Fairtrade do Brasil (BRFAIR), Mauricio Alves Hervaz comenta sobre a importância das ações realizadas.

É importante mostrar aos brasileiros o que é o Comércio Justo. Os produtores certificados trabalham com sustentabilidade e são desenvolvidos diversos projetos sociais e ambientais nas propriedades e comunidades. O consumidor precisa entender que os produtos do Comércio Justo, como café e suco de laranja, são feitos com sustentabilidade e parte do recurso são para ações sociais”, enfatizou.

Modelo de negócio baseado em Fairtrade ganha força no Brasil

Segundo ele, as atividades realizadas durante o mês de maio e as demais durante todo o ano fortalecem o sistema Fairtrade, e levam informações aos produtores e consumidores. No Brasil, o principal produto do Comércio Justo é o café. “O mercado interno de cafés especiais e certificados é grande, e todas as ações de divulgação e marketing fortalecem e fomentam esse comércio interno”, afirmou.

Universidades pelo Comércio Justo

A Universidade Federal de Lavras (UFLA) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV), ambas de Minas Gerais, são reconhecidas, no Brasil, como “Universidades pelo Comércio Justo”. O reconhecimento é uma das ações do projeto Universidades Latino-americanas pelo Comércio Justo, que vem sendo fomentado pela Coordenadora Latino-americana e do Caribe de Pequenos (as) Produtores (as) e Trabalhadores (as) de Comércio Justo (CLAC) em diversos países da América Latina e Caribe desde 2015.      

No Brasil, o projeto conta com o apoio da Associação das BRFAIR, que em parceria com a CLAC, tem trabalhado ativamente para estabelecer e fortalecer as conexões entre as Organizações de Pequenos Produtores (OPPs) Fairtrade e as universidades.

Cidades pelo Comércio Justo

Também fomentado pela CLAC em parceria com a BRFAIR, o projeto “Cidades Latino-Americanas pelo Comércio Justo” é um exemplo de iniciativa que visa fortalecer o Fairtrade no Brasil. No país, quatro cidades brasileiras têm o título de Cidades Latino-Americanas pelo Comércio Justo: Boa Esperança, Poço Fundo e Santana da Vargem, em Minas Gerais; e Muqui, no Espírito Santo. A cidade mineira de Nova Resende está no processo de reconhecimento.