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Paridade cai e milho de MT mantém prêmio no mercado interno

Redação
03/06/2026 às 08:56
Paridade cai e milho de MT mantém prêmio no mercado interno

Com exportação menos competitiva, milho encontra sustentação no mercado doméstico, mas o espaço para alta fica mais estreito.

O milho em Mato Grosso abriu a semana com uma fotografia que merece atenção na mesa de comercialização. A paridade de exportação recuou com força, enquanto o disponível cedeu pouco nas praças do estado. O resultado é um mercado físico ainda firme, mas cada vez mais descolado do preço que caberia na conta dos embarques.

Na ponta do lápis, a diferença ficou grande.

A média estadual do milho disponível ficou em R$ 42,16 por saca, queda de 0,33 por cento no levantamento do Imea de 2 de junho. A paridade de exportação, apurada em 1 de junho, caiu 2,03 por cento e foi a R$ 32,04 por saca. Esse intervalo deixa um prêmio interno próximo de R$ 10,12 por saca, equivalente a 31,59 por cento acima da paridade.

Produtor avalia grãos de milho em lavoura madura de Mato Grosso antes da colheita
Produtor avalia grãos de milho em lavoura madura de Mato Grosso

Paridade mais fraca aumenta o descolamento do físico

A queda da paridade muda o humor do mercado porque reduz a competitividade da exportação no curto prazo. Quando o preço calculado para embarque perde fôlego, o comprador ligado ao fluxo externo tende a apertar o cinto. Ainda assim, o mercado interno segue pagando melhor em Mato Grosso, apoiado por demanda regional e pela necessidade de recomposição pontual de estoques.

Esse prêmio não significa euforia.

O produtor que consegue segurar o lote encontra referência acima da paridade, mas também percebe que a margem para novas altas ficou menor. A média estadual caiu e todas as praças informadas trabalharam no campo negativo. A diferença entre Rondonópolis e Alta Floresta chegou a R$ 8,55 por saca, mostrando que logística, consumo local e distância dos corredores de escoamento continuam pesando no bolso.

PraçaPreço disponívelVariação diária
RondonópolisR$ 46,35 por sacaqueda de 0,54 por cento
Primavera do LesteR$ 45,25 por sacaqueda de 0,33 por cento
Campo VerdeR$ 44,85 por sacaqueda de 0,44 por cento
SorrisoR$ 42,40 por sacaqueda de 0,47 por cento
Alta FlorestaR$ 37,80 por sacaqueda de 0,53 por cento
Amplitude regional de R$ 8,55 por saca entre Rondonópolis e Alta Floresta

O frete também ajuda a explicar o cuidado dos compradores. A rota Sorriso a Paranaguá ficou em R$ 486,98 por tonelada, leve baixa de 0,18 por cento. Para Santos, o valor foi de R$ 514,78 por tonelada, queda de 1,53 por cento. Já os trajetos internos subiram, com Sorriso a Rondonópolis em R$ 180,02 por tonelada e Sorriso a Cuiabá em R$ 133,75 por tonelada.

Chicago, clima dos EUA e safrinha limitam reação

No pano de fundo, Chicago segue sensível ao clima dos Estados Unidos e ao avanço da safra norte-americana. Para Mato Grosso, esse ambiente externo chega como freio adicional, porque qualquer fraqueza no referencial internacional pesa na paridade e reduz o apetite por negócios voltados ao porto.

A safrinha também entra na conversa.

Com a colheita se aproximando em áreas importantes, o mercado passa a medir o tamanho da oferta nova e a velocidade de venda do produtor. Se a pressão de entrada ganhar corpo, o prêmio interno pode continuar existindo, mas com negociação mais seletiva. O comprador tende a esperar, enquanto o vendedor tenta defender preço em uma praça que ainda paga melhor que a exportação.

Por ora, o recado é claro para quem acompanha o milho mato-grossense. O físico não desabou junto com a paridade, mas a sustentação ficou mais dependente do consumo doméstico e da disciplina comercial no campo. Em mercado de margem curta, vender bem exige comparar praça, frete e prazo antes de fechar negócio.

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