Com exportação menos competitiva, milho encontra sustentação no mercado doméstico, mas o espaço para alta fica mais estreito.
O milho em Mato Grosso abriu a semana com uma fotografia que merece atenção na mesa de comercialização. A paridade de exportação recuou com força, enquanto o disponível cedeu pouco nas praças do estado. O resultado é um mercado físico ainda firme, mas cada vez mais descolado do preço que caberia na conta dos embarques.
Na ponta do lápis, a diferença ficou grande.
A média estadual do milho disponível ficou em R$ 42,16 por saca, queda de 0,33 por cento no levantamento do Imea de 2 de junho. A paridade de exportação, apurada em 1 de junho, caiu 2,03 por cento e foi a R$ 32,04 por saca. Esse intervalo deixa um prêmio interno próximo de R$ 10,12 por saca, equivalente a 31,59 por cento acima da paridade.
Produtor avalia grãos de milho em lavoura madura de Mato Grosso
Paridade mais fraca aumenta o descolamento do físico
A queda da paridade muda o humor do mercado porque reduz a competitividade da exportação no curto prazo. Quando o preço calculado para embarque perde fôlego, o comprador ligado ao fluxo externo tende a apertar o cinto. Ainda assim, o mercado interno segue pagando melhor em Mato Grosso, apoiado por demanda regional e pela necessidade de recomposição pontual de estoques.
Esse prêmio não significa euforia.
O produtor que consegue segurar o lote encontra referência acima da paridade, mas também percebe que a margem para novas altas ficou menor. A média estadual caiu e todas as praças informadas trabalharam no campo negativo. A diferença entre Rondonópolis e Alta Floresta chegou a R$ 8,55 por saca, mostrando que logística, consumo local e distância dos corredores de escoamento continuam pesando no bolso.
Praça
Preço disponível
Variação diária
Rondonópolis
R$ 46,35 por saca
queda de 0,54 por cento
Primavera do Leste
R$ 45,25 por saca
queda de 0,33 por cento
Campo Verde
R$ 44,85 por saca
queda de 0,44 por cento
Sorriso
R$ 42,40 por saca
queda de 0,47 por cento
Alta Floresta
R$ 37,80 por saca
queda de 0,53 por cento
Amplitude regional de R$ 8,55 por saca entre Rondonópolis e Alta Floresta
O frete também ajuda a explicar o cuidado dos compradores. A rota Sorriso a Paranaguá ficou em R$ 486,98 por tonelada, leve baixa de 0,18 por cento. Para Santos, o valor foi de R$ 514,78 por tonelada, queda de 1,53 por cento. Já os trajetos internos subiram, com Sorriso a Rondonópolis em R$ 180,02 por tonelada e Sorriso a Cuiabá em R$ 133,75 por tonelada.
Chicago, clima dos EUA e safrinha limitam reação
No pano de fundo, Chicago segue sensível ao clima dos Estados Unidos e ao avanço da safra norte-americana. Para Mato Grosso, esse ambiente externo chega como freio adicional, porque qualquer fraqueza no referencial internacional pesa na paridade e reduz o apetite por negócios voltados ao porto.
Com a colheita se aproximando em áreas importantes, o mercado passa a medir o tamanho da oferta nova e a velocidade de venda do produtor. Se a pressão de entrada ganhar corpo, o prêmio interno pode continuar existindo, mas com negociação mais seletiva. O comprador tende a esperar, enquanto o vendedor tenta defender preço em uma praça que ainda paga melhor que a exportação.
Por ora, o recado é claro para quem acompanha o milho mato-grossense. O físico não desabou junto com a paridade, mas a sustentação ficou mais dependente do consumo doméstico e da disciplina comercial no campo. Em mercado de margem curta, vender bem exige comparar praça, frete e prazo antes de fechar negócio.