Mesmo com Cepea e B3 perto de R$ 65 por saca, a referência regional de Mato Grosso segue perto de R$ 42 e a paridade de exportação fica abaixo de R$ 34
A tela engana.
Quem olha só para os contratos pode achar que o milho ainda respira em patamar confortável. A conta muda quando a saca sai do papel e entra na estrada. Em Mato Grosso, o preço físico médio informado pelo IMEA ficou em R$ 42,29 por saca na base de 29 de maio, enquanto a paridade de exportação apareceu em R$ 33,67 na base de 28 de maio.
O contraste é grande porque o indicador do Milho Esalq B3 marcou R$ 64,91 por saca na mesma data, e o contrato de julho na B3 fechou a R$ 65,42. Só que essa referência não chega inteira ao produtor do Médio Norte. Entre a lavoura, o armazém, o frete e o porto, a margem vai perdendo fôlego.
No fim das contas, a decisão comercial fica menos dependente de uma manchete sobre Chicago e mais presa à base regional. Segurar o lote pode fazer sentido para alguns perfis, mas a paridade fraca mostra que a exportação não está pagando uma conta folgada para todo mundo.
Preço de tela não vira preço no interior
A tabela deixa claro o tamanho da distância. O IMEA mostra Sorriso a R$ 42,50 por saca, Rondonópolis a R$ 46,70, Primavera do Leste a R$ 45,50 e Lucas do Rio Verde a R$ 41,25. São praças relevantes para a safrinha, mas ficam bem abaixo das referências nacionais e financeiras.
Referência
Valor
Data base
Movimento
Mato Grosso físico IMEA
R$ 42,29 por saca
29 de maio de 2026
0,26 por cento
Paridade de exportação MT IMEA
R$ 33,67 por saca
28 de maio de 2026
1,31 por cento
Indicador do Milho Esalq B3
R$ 64,91 por saca
29 de maio de 2026
+0,02
B3 julho de 2026
R$ 65,42 por saca
29 de maio de 2026
queda de 0,74 por cento
B3 setembro de 2026
R$ 68,11 por saca
29 de maio de 2026
queda de 0,92 por cento
CME julho de 2026
US$ 4,4675 por bushel
29 de maio de 2026
queda de 1,97 por cento
Os contratos futuros também não ajudaram no fechamento. A B3 recuou em julho e setembro, enquanto o CME Group mostrou o milho de julho a US$ 4,4675 por bushel, queda de 1,97 por cento. Esse recuo não explica tudo, mas tira espaço para reação rápida quando a base local já está apertada.
Frete pesa na paridade e muda a decisão
O pulo do gato está na logística. O frete de Sorriso a Santos foi informado pelo IMEA a R$ 507,01 por tonelada na base de 22 de maio, o que equivale a R$ 30,42 por saca de 60 quilos. Para Miritituba, a rota saiu a R$ 308,65 por tonelada, ou R$ 18,52 por saca.
Essa diferença ajuda a entender por que a paridade em Sorriso ficou em R$ 32,21 por saca, abaixo do físico local de R$ 42,50. Rondonópolis aparece em posição relativamente melhor, com físico de R$ 46,70, paridade de R$ 39,08 e frete a Santos de R$ 407,50 por tonelada, equivalente a R$ 24,45 por saca.
Campo Novo do Parecis também mostra o peso da distância. A praça teve físico de R$ 43,65 por saca, mas o frete até Santos chegou a R$ 500,69 por tonelada, cerca de R$ 30,04 por saca. Porteira para fora, a rota fica cara antes mesmo de o produtor discutir prêmio, câmbio ou janela de embarque.
Para quem está no interior de Mato Grosso, a leitura prática é simples.
A tela dá direção, mas não paga boleto sozinha. A comercialização do milho passa pela combinação entre preço local, paridade, frete e necessidade de caixa. Agronews é informação para quem produz