A geada chegou quando o feijão ainda precisava de tempo. No Paraná, a conta ficou pesada.
A segunda safra do grão deve alcançar 332,1 mil toneladas em 2026, conforme estimativa do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná publicada pelo jornal O Paraná. O número representa queda de 38% na comparação com a safra anterior.
O tombo não veio de uma pancada só. Primeiro faltou chuva em áreas produtoras, atrapalhando germinação, crescimento das plantas e enchimento das vagens. Depois, massas de ar frio levaram geadas ao Sul do estado, justamente quando parte das lavouras ainda estava em fase sensível.
Lavoura de feijão no Paraná após frio intenso durante fase sensível da cultura
Perda passa da lavoura para o bolso
O levantamento também indica que a produção atual ficou cerca de 21% abaixo do potencial esperado no início do ciclo. Para o produtor, é aquele tipo de safra que obriga a passar a regra de novo, porque parte do custo já estava no campo quando o clima virou contra.
Marcelo Garrido, chefe do Deral no Paraná, afirmou ao O Paraná que a geada pegou o feijão em um momento suscetível. A fala ajuda a explicar por que o dano foi além de uma perda localizada. Quando a planta sofre frio nessa etapa, folhas queimadas e ciclo interrompido podem derrubar a colheita de áreas inteiras.
Indicador
Dado informado
Leitura para o campo
Produção estimada em 2026
332,1 mil toneladas
Oferta menor na segunda safra
Queda ante a safra anterior
38%
Perda forte para produtores
Diferença ante o potencial inicial
21% abaixo
Frustração de planejamento
Alerta chega ao prato do consumidor
O Paraná tem peso importante no abastecimento nacional de feijão. Por isso, uma quebra desse tamanho acende sinal para cerealistas, cooperativas, varejo e famílias que acompanham o preço do pacote no mercado. Não significa alta automática em todo o país, mas reduz a folga da oferta.
Na prática, o episódio mostra como clima e comida estão cada vez mais amarrados. Estiagem, frio fora de hora e custos elevados deixam menos margem para erro. Porteira para dentro, a lavoura sente primeiro. Porteira para fora, o consumidor pode sentir depois.
O quadro reforça a pressão por seguro rural, irrigação e manejo climático mais robustos. Sem isso, cada virada brusca do tempo vira uma aposta cara para quem planta um dos alimentos mais presentes no prato brasileiro.