Atualizando...

Ferrovia e energia trifasica reduzem custos do agro em Mato Grosso

Redação
01/06/2026 às 11:37
Obras de construção da Ferrovia Estadual de Mato Grosso avançam pelo cerrado

Com R$ 6,4 bilhões investidos, dois projetos atacam gargalos históricos de escoamento e produção no maior estado produtor de grãos do país

Quem trafega pela BR-163 durante a safra conhece a cena. Caminhões enfileirados, horas de espera, diesel queimando em marcha lenta. É o retrato de um estado que produz cerca de 30% dos grãos do país mas ainda enfrenta gargalos logísticos para levar a safra aos portos de Miritituba, Santarém e Santos. O problema não está só fora da porteira. Dentro da propriedade, a falta de energia trifásica obriga o produtor a depender de geradores a diesel para irrigar, resfriar a produção ou processar a colheita.

Duas frentes de investimento bilionário miram esses dois gargalos. De um lado, a Ferrovia Estadual de Mato Grosso avança a 1 km por dia e já tem data para entrega do primeiro trecho. Do outro, a Energisa formalizou em maio um programa de R$ 1,4 bilhão para levar 5 mil km de rede trifásica ao campo. Somados, os dois projetos representam R$ 6,4 bilhões que atacam o custo do frete na BR-163 e a conta de energia no campo.

Os números são expressivos e os prazos, concretos. A ferrovia estadual chega a 73% de conclusão e inaugura os primeiros 162 km no dia 19 de junho. O programa de energia, assinado em 29 de maio entre a Energisa, o governo do estado e a Aprosoja, já tem cronograma definido para as primeiras ligações rurais. É a primeira vez que os dois gargalos históricos do agro mato-grossense recebem investimento na mesma escala e no mesmo momento.

Rede de energia trifásica da Energisa chega a propriedades rurais em Mato Grosso

Ferrovia estadual avança 1 km por dia e inaugura primeiro trecho em junho

No próximo dia 19 de junho, Mato Grosso inaugura o primeiro trecho de 162 km da Ferrovia Estadual, parte de um traçado total de 743 km que vai conectar as regiões produtoras aos grandes corredores ferroviários do país. A obra está 73% concluída e mantém o ritmo de 1 km por dia, um dos canteiros mais acelerados da infraestrutura nacional. O investimento total é de R$ 5 bilhões, sendo R$ 2 bilhões já liberados pelo BNDES para a primeira fase.

As cidades de Água Boa, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop estão no eixo do traçado e serão as primeiras beneficiadas com a redução no frete. Hoje, o produtor paga o valor do transporte rodoviário em rotas que contam entre as mais caras do Brasil. Com a ferrovia, a estimativa do governo é cortar em até 30% o gasto com logística até os terminais de transbordo que alimentam os portos do Arco Norte.

Os técnicos do estado projetam que a economia no frete pode representar até R$ 15 por saca de soja. Para uma propriedade de porte médio em Sorriso, o ganho anual ultrapassa os R$ 200 mil apenas com transporte. O dado oficial indica que a ferrovia vai retirar cerca de 3 milhões de caminhões das rodovias estaduais por ano, o que reduz também os custos de manutenção da BR-163 e da BR-158, duas artérias essenciais do escoamento mato-grossense.

Energia trifásica chega a 5 mil km de novas redes rurais e reduz dependência de geradores

Enquanto a ferrovia ataca o custo logístico, um segundo projeto enfrenta o desafio dentro da porteira. Em 29 de maio de 2026, a Energisa formalizou a parceria com o governo do estado e a Aprosoja para expandir a rede trifásica em 5 mil km na zona rural. O investimento de R$ 1,4 bilhão deve beneficiar milhares de propriedades que ainda dependem de geradores a diesel para manter a produção funcionando.

A energia trifásica é uma demanda antiga do setor produtivo. Sem ela, o agricultor não consegue irrigar lavouras em escala, não pode instalar sistemas de armazenagem climatizada e perde eficiência no processamento da colheita. Na pecuária leiteira, a falta de energia adequada inviabiliza o resfriamento do leite na origem, obrigando o produtor a entregar a produção ainda quente, o que derruba o preço recebido. A expansão da rede resolve esse problema na base.

A Aprosoja-MT estima que o programa pode reduzir em até 40% o custo de produção nas propriedades atendidas. O Sindenergia, que reúne as distribuidoras do estado, aponta que a nova infraestrutura também abre caminho para a geração distribuída de energia solar, já que sistemas fotovoltaicos trifásicos oferecem maior eficiência e retorno mais rápido sobre o investimento. Lá no campo, o resultado é imediato e direto. O gerador a diesel desliga e a conta de luz encolhe.

Juntos, os dois projetos formam a espinha dorsal da infraestrutura que Mato Grosso esperou por décadas. Um corta o custo para levar a safra ao mercado. O outro reduz o custo para produzir dentro da porteira. Na soma, R$ 6,4 bilhões de investimento público e privado que enfrentam dois gargalos de uma só vez. Para o maior estado produtor de grãos do país, a competitividade deixa de ser promessa e começa a virar realidade no asfalto, nos trilhos e na rede elétrica.

Agronews é informação para quem produz

energia rural ferrovia infraestrutura Mato Grosso

Compartilhe esta notícia: