O mercado do algodão vive um momento de contrastes. Enquanto os embarques externos batem recordes históricos, as cotações internas seguem acomodadas e os custos de produção disparam. A safra 2025/26 promete ser uma das maiores do Brasil, mas o produtor enfrenta um cenário de margens apertadas e incertezas domésticas.
Colheita mecanizada de algodão em Mato Grosso, o maior estado produtor do Brasil
Exportações disparadas e a janela externa
Dados do setor indicam que as exportações brasileiras de algodão em maio já superam o volume embarcado em toda a temporada anterior. A Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) projeta um recorde de 3,1 milhões de toneladas na temporada que se encerra em junho, alta de 9% em relação ao ciclo anterior.
Algodão brasileiro pronto para embarque em terminal portuário. Exportações recordes impulsionam o setor
Esse movimento é impulsionado por condições climáticas adversas nos Estados Unidos, com a seca severa no Texas reduzindo a oferta global da fibra. Ao mesmo tempo, tensões geopolíticas no Oriente Médio abrem uma janela adicional para o Brasil ampliar sua participação no mercado internacional.
Dados de tendências de busca na internet mostram que o interesse pelo termo “safra algodão” disparou em maio de 2026, refletindo a atenção do mercado sobre o momento. O algodão brasileiro ganha espaço justamente quando o mundo enfrenta restrições de oferta, consolidando o país como um dos principais fornecedores globais.
A colheita em Mato Grosso já está avançada, com o algodão no ponto de colheita em várias regiões do estado.
O mercado físico e os custos domésticos
No mercado interno, o ritmo é outro. As cotações do Cepea/Esalq para o algodão em pluma subiram 1,72% na última semana, atingindo R$ 4,22 por libra-peso (conversão de 421,69 centavos de R$/lb no indicador Cepea/Esalq). O avanço é moderado se comparado ao entusiasmo das exportações. Enquanto as fibras seguem para o exterior em volumes recordes, a demanda doméstica não acompanha o mesmo dinamismo.
Os preços disponíveis no Mato Grosso, apurados pelo IMEA, mostram estabilidade relativa. Os valores do IMEA para pluma disponível em 27 de maio de 2026 estão na tabela abaixo.
Praça
Preço (R$/@)
Mato Grosso (referência)
132,02
Alto Garças
134,64
Campo Novo do Parecis
131,66
Campo Verde
133,12
Cuiabá
132,77
Diamantino
132,49
Itiquira
133,40
Lucas do Rio Verde
131,80
Nova Mutum
132,21
Primavera do Leste
133,30
Rondonópolis
133,91
Sapezal
131,33
Sorriso
131,53
A paridade de exportação calculada pelo IMEA para Mato Grosso ficou em R$ 126,33 por arroba em 26 de maio, valor que indica a referência teórica para negócios externos. A diferença entre esse número e os preços disponíveis revela que o mercado interno ainda paga um prêmio, mas a tendência é de convergência com o avanço da colheita.
Para completar o cenário de desafios, os custos de produção despontam como a maior preocupação do produtor para a safra 26/27. Combustível, fertilizantes e defensivos agrícolas sobem de forma acentuada, corroendo margens mesmo com exportações aquecidas. O produtor precisa de planejamento redobrado para não ver o lucro escorrer entre os dedos.