Balanço de danos nas lavouras de café e pastagens se soma ao sinal da NASA sobre El Niño, reacendendo o debate sobre crédito rural, seguro agrícola e preços ao consumidor.
A geada recuou, a conta chegou
O que o INMET registrou e o que as lavouras perderam
O frio extremo se despede do Sul do Brasil. Mas os prejuízos já estão plantados. Maio de 2026 ficará marcado como um dos meses mais gelados da década. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) registrou 13 dias com temperaturas negativas no Rio Grande do Sul. Três ondas de frio polar consecutivas atingiram a região entre o início e o final do mês.
Localidade
Temperatura mínima
Data
Pinheiro Machado (RS)
-4,8°C
19 de maio
Soledade (RS)
-4,2°C
12 de maio
Planalto Sul (SC)
-6°C
Pico da terceira onda de frio
São Paulo (capital)
1°C
27 de maio
Pastagens danificadas pelo frio podem pressionar leite e carne nos próximos meses
Os termômetros na capital paulista marcaram 1°C no dia 27. Foi a menor temperatura para um mês de maio em anos. No Planalto Sul catarinense, as áreas de altitude chegaram a -6°C. Um sistema de baixa pressão formado no Atlântico entre 26 e 27 de maio intensificou o frio e trouxe chuva forte para o litoral da Região Sul. A boa notícia é que o ar mais seco começa a predominar a partir de 28 de maio, segundo o INMET, afastando temporariamente o risco de novas precipitações intensas.
Trigo no Sul e café no Sudeste. Danos localizados ou generalizados?
As lavouras de trigo no Sul estavam em fase crítica de desenvolvimento. A geada atingiu plantações em pontos isolados, mas a extensão dos danos ainda está sendo calculada. A Conab projeta uma safra de grãos 2025/26 de 358 milhões de toneladas, com a soja podendo atingir 180 milhões de toneladas. O evento climático pode reduzir esse número. No Sudeste, o café arábica também sofreu. A oferta global da variedade já estava pressionada. A geada agrava o cenário e acende o alerta para o próximo ciclo.
El niño no horizonte. O alerta da NASA
Nível do mar sobe e muda o jogo climático para o segundo semestre
Na quarta-feira, 27 de maio, a NASA emitiu um alerta com base nos dados da missão Sentinel-6 Michael Freilich. O nível do mar no Oceano Pacífico Equatorial está subindo rapidamente, com anomalias de até 15 centímetros acima da média registradas próximas ao Peru ainda em meados de maio. O fenômeno pode alterar o regime de chuvas no Brasil no segundo semestre. O sinal da agência espacial americana reacende a preocupação com eventos extremos. O contraste climático entre o maio mais frio da década e um verão potencialmente quente sob influência do El Niño desafia o planejamento agrícola.
Inflação de alimentos e o preço do café
Oferta global de café arábica encolhe e consumidor sente o impacto
O café arábica é uma das culturas mais sensíveis à geada. Com a oferta global já reduzida por problemas climáticos em outras origens, o evento no Brasil pode elevar os preços internacionais. O consumidor final já começa a sentir no bolso. A combinação de geada no Sul e alerta de El Niño pressiona ainda mais a cadeia produtiva. A tendência é de aumento nos preços do café nas próximas semanas.
Pastagens e proteína animal. Os efeitos indiretos da geada
As pastagens no Sul do Brasil sofreram danos significativos. O frio intenso queimou a forragem e reduziu a disponibilidade de alimento para o gado. Isso pode impactar a produção de leite e carne nos próximos meses. O preço da proteína animal, que já vinha em alta, pode subir ainda mais. A inflação de alimentos ganha um novo componente.
O Programa de Seguro Rural (PSR) pode enfrentar uma onda de solicitações. Com os danos generalizados, o número de sinistros tende a aumentar. O governo e as seguradoras precisam se preparar para um volume maior de indenizações. O crédito rural também pode sofrer impacto. Os bancos devem revisar as condições de financiamento para a próxima safra.
O Zarc precisa ser revisado para eventos climáticos extremos?
O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) é a principal ferramenta para orientar o plantio. Eventos como a geada de maio de 2026 e o alerta de El Niño colocam em xeque a eficácia do zoneamento. Será que o Zarc está preparado para a intensificação de eventos extremos? A discussão está na mesa. O setor produtivo cobra atualizações que reflitam a nova realidade climática.