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Algodão mostra três velocidades. Cepea firma, IMEA sobe e NYBOT recua

Redação
29/05/2026 às 09:44
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O mercado do algodão em Mato Grosso apresentou sinais mistos no fechamento de quinta-feira (28), revelando um jogo de forças entre compradores e vendedores que ainda não encontrou equilíbrio. Enquanto o indicador Cepea/Esalq avançou para 424,21 centavos de real por libra-peso, as ofertas de compra do IMEA subiram em todas as praças de Mato Grosso.

Na ponta oposta, os negócios efetivamente realizados na pluma disponível recuaram 0,80% na média do estado, e a Bolsa de Nova York opera em campo negativo nesta sexta-feira.

É aquele tipo de cenário que o produtor acompanha de olho no painel e na ponta do lápis ao mesmo tempo. De um lado, a demanda externa não dá trégua. As exportações brasileiras de algodão acumulam alta expressiva em maio e caminham para mais um recorde. Do outro, a realização de negócios no spot perdeu fôlego nos últimos dias, e o mercado futuro internacional devolveu parte dos ganhos recentes.

O dado oficial do Cepea/Esalq mostra o indicador do algodão em 424,21 centavos de real por libra-peso, equivalente a R$ 4,24/lb, com variação positiva de 0,60% em relação ao fechamento anterior. O índice reflete negócios spot envolvendo fibra disponível para pronta entrega no mercado paulista, referência nacional para formação de preço.

Cepea mantém firmeza com demanda aquecida

O avanço do indicador Cepea/Esalq na quinta-feira veio em linha com o movimento de alta observado nos dois dias anteriores. Na quarta-feira (27), o índice já havia subido 1,72%, consolidando uma recuperação após o recuo registrado no início da semana. Agora, o indicador acumula alta de mais de 2% em três pregões.

O pano de fundo para essa firmeza é claro. As exportações brasileiras de algodão dispararam em maio, com alta superior a 30% na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados da Secex. Com o Brasil caminhando para superar os Estados Unidos como maior exportador global da fibra, a demanda externa segue sustentando os preços domésticos mesmo diante das incertezas cambiais e da volatilidade internacional.

Do lado do câmbio, o dólar PTAX fechou a R$ 5,0517 na quinta-feira, um patamar que ainda favorece a paridade de exportação calculada em R$ 125,00 por arroba para Mato Grosso. A conta é simples. Quanto mais alto o dólar, maior o prêmio do mercado externo sobre o interno. A questão é que esse prêmio nem sempre se traduz em negócios fechados no mesmo dia.

Mercado físico mostra compradores dispostos e vendedores cautelosos

O levantamento do IMEA para o preço compra em Mato Grosso revelou um movimento curioso. Todas as oito praças monitoradas registraram alta de cerca de 1,8% nas ofertas de compra, sugerindo que as indústrias e tradings estavam dispostas a pagar mais pela fibra. O destaque foi Campo Novo do Parecis e Sorriso, com alta de 1,85% nos preços ofertados.

Só que tem um detalhe importante. Quando se olha para os negócios efetivamente fechados, a chamada pluma disponível que reflete a média ponderada das transações realizadas, o quadro muda de figura. A média de Mato Grosso ficou em R$ 130,96 por arroba, com recuo de 0,80% em relação ao dia anterior. Isso indica que, apesar de os compradores estarem ofertando mais, as vendas que saíram do papel aconteceram a valores ligeiramente menores.

Na prática, o mercado está vivendo uma disputa de narrativas. Quem compra tenta atrair vendedores com preços maiores, mas quem vende prefere esperar, talvez apostando em novas altas com a demanda externa aquecida. O resultado é um spread maior entre o que se oferece e o que se fecha.

A tabela abaixo mostra as ofertas de compra do IMEA em cada praça de Mato Grosso na quinta-feira (28).

PraçaPreço compra (R$/@)Variação
Alto Garças134,64+1,80%
Rondonópolis133,91+1,81%
Itiquira133,40+1,82%
Campo Verde133,12+1,82%
Diamantino132,49+1,83%
Nova Mutum132,21+1,83%
Campo Novo do Parecis131,66+1,85%
Sorriso131,53+1,85%
Fonte IMEA (28/05/2026). Preços de compra ofertados nas praças de Mato Grosso.

Na ponta do mercado físico, a pluma em Sorriso negociada pelo Sindicato Rural ficou em R$ 131,53 por arroba, com alta de 1,85%, enquanto na Bahia a referência da AIBA ficou em R$ 134,50, leve recuo de 0,37%. A estabilidade do Índice Cotlook A em 87,35 centavos de dólar por libra-peso também não ajudou a dar direção clara ao mercado.

Em Nova York, o contrato julho do algodão fechou quinta-feira a 76,77 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,61 ponto sobre o pregão anterior. O vencimento outubro ficou em 78,25 centavos e o dezembro em 79,53 centavos, todos no positivo. A sessão desta sexta-feira, porém, devolve parte do ganho. O contrato julho opera por volta de 76,28 centavos, queda de 0,64% no intraday.

Nos subprodutos, a torta de algodão disponível em Mato Grosso foi cotada a R$ 916,63 por tonelada, recuo de 0,97%, enquanto o óleo de algodão ficou em R$ 5.354,75 por tonelada, estável. O caroço seguiu sem cotação no estado.

O produtor que vem acompanhando o mercado sabe que o algodão vive um momento único. As exportações nunca foram tão fortes, a demanda internacional não arrefece e o Brasil virou protagonista global da fibra. Mas, no curto prazo, a indecisão entre compradores e vendedores em Mato Grosso mostra que o preço justo ainda está sendo descoberto.

No fim das contas, a máxima de que mercado alta vende e mercado baixa não compra segue valendo. Enquanto NYBOT hesita e o Cepea segura a linha, quem tem fibra para negociar pode se dar ao luxo de esperar o melhor momento. A pergunta que fica é até quando.

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