O cenário econômico para a suinocultura em São Paulo tem exigido um planejamento financeiro cada vez mais rigoroso por parte dos produtores rurais
Dados recentes do CEPEA indicam que o poder de compra do suinocultor paulista voltou a registrar queda na parcial do mês de setembro, acumulando a terceira retração mensal consecutiva quando comparado aos custos dos principais insumos da atividade: o milho e o farelo de soja.
A perda de rentabilidade decorre de um movimento de tesoura no mercado de commodities e proteína animal. Até o dia 22 de setembro, a média das cotações do suíno vivo apresentou um recuo em relação ao mês anterior, enquanto os preços do farelo de soja e do milho seguiram em rota de valorização. Como esses dois ingredientes compõem a maior parte da planilha de custos da alimentação do plantel, o encarecimento da ração consome diretamente a margem do produtor rural, exigindo atenção redobrada à eficiência alimentar e à gestão de estoque nas propriedades.
Apesar da média mensal do suíno vivo ter fechado em queda, o comportamento do mercado ao longo das semanas revelou dinamismos distintos. Foram registradas altas expressivas nas cotações em boa parte do período, impulsionadas pelo aumento do consumo de carne suína na ponta final. Essa demanda aquecida nos supermercados e açougues fez com que os frigoríficos intensificassem a procura por novos lotes de animais prontos para o abate, garantindo um fôlego para os preços de venda na granja.
O fator determinante para a queda na média geral do mês não foi uma fraqueza generalizada do setor, mas sim um recuo pontual e acentuado registrado logo na primeira semana de setembro. Essa baixa inicial pesou sobre o cálculo acumulado, resultando em um indicador médio inferior ao do mês anterior, mesmo com as recuperações vistas nas semanas subsequentes.
Surpreendentemente, nem mesmo a chegada da segunda quinzena de setembro abalou a reação dos preços. Historicamente, a segunda metade do mês é marcada por um esfriamento na demanda interna por proteínas, já que a perda de poder aquisitivo da população ao final do mês reduz o ritmo das compras no varejo. Contudo, neste período recente, os preços do suíno vivo mantiveram uma trajetória firme e de recuperação.
Diante desse movimento atípico e favorável nas últimas semanas, o sentimento que predomina entre os suinocultores paulistas é de um otimismo moderado. Embora a valorização contínua do milho e do farelo de soja continue no radar de preocupações e exija estratégias para mitigar a perda do poder de compra, a capacidade de reação do valor do suíno vivo traz uma perspectiva positiva para o encerramento do trimestre, sustentando a expectativa de dias mais favoráveis para a rentabilidade no campo. Clique aqui e acompanhe o agro.
AGRONEWS É INFORMAÇÃO PARA QUEM PRODUZ